03/02/2015

18:11

Por: Alberto Silva

A CRISE – Falta água e sobram problemas.

A crise hídrica deixou de ser uma preocupação e passou a ser um problema para diversos belo-horizontinos que enfrentam as consequências da falta de água.

Moradores da capital BH relatam transtornos por dias seguidos; até o banho tem sido prejudicado

 

A crise hídrica deixou de ser uma preocupação e passou a ser um problema para diversos belo-horizontinos que enfrentam as consequências da falta de água. “Fiquei quatro dias sem água na semana passada. No primeiro dia fui na casa de vizinhos que ainda tinham água no reservatório, mas depois acabou a água de todo mundo. Para tomar banho tive que ir à casa de parentes no bairro Alípio de Melo”, relata a administradora Grace de Paula Matoso Costa, 32, que mora no Santa Mônica, na Pampulha.
A situação foi vivida também pelo auxiliar de departamento pessoal Matheus Rodrigues, 18, morador do Bandeirantes, na mesma região. Ele ficou mais de 48 horas sem água, há cerca de uma semana. Segundo Rodrigues, a água voltou durante o último fim de semana, porém, quando retornou, a vazão estava mais fraca e ainda não está normalizada. “Minha mãe e irmã foram para casa de parentes para tomar banho, tiveram que atravessar a cidade. Eu fiquei sem banho na sexta-feira”, conta.

A falta de informação é outra reclamação de quem fica sem água. “Fui informada várias vezes pela Copasa de que não havia nenhum problema no meu bairro, mesmo quando não tinha água alguma na torneira. Quando você fica nervosa de ouvir a mesma resposta, as atendentes ainda desligam o telefone”, conta a moradora Grace de Paula.

“Liguei para a Copasa quatro vezes. Primeiro, não sabiam o que estava acontecendo, depois falaram que era manutenção. Como a água não voltou, disseram que o problema era a falta de chuva, que não havia água para bombear para os bairros mais altos da cidade”, lembra Rodrigues.
Um prédio na avenida Raja Gabaglia enfrenta a falta de água durante o dia. “Não temos água vindo da rua para lavar as áreas comuns do prédio. A água só chega de madrugada e deixamos para uso dos apartamentos”, explica Daniel Gomes, 34, síndico do prédio.

Negócios. Matilde Sousa Pereira é cabeleireira em um salão no bairro Santa Mônica, em Venda Nova, ficou o dia desta quinta sem água, o que a fez perder vários clientes. “No dia em que não tem água, eu perco até 80% do meu faturamento, pois não posso fazer os serviços mais rentáveis, como um alisamento ou uma escova progressiva, uma pintura”, diz.

Matilde relata que a falta de água tem sido frequente no bairro. “Em dezembro, faltou água umas seis vezes, e, no mês de janeiro, hoje (nesta quinta) é a terceira vez”.

No mesmo bairro, o restaurante Cheiro Verde também ficou sem água nesta quinta. Os clientes foram atendidos porque havia uma reserva para o caso de faltar. “Tínhamos dois baldes grandes cheios para o caso de faltar água. Agora acabou. Enquanto a água não voltar não poderemos abrir porque não temos água nem para lavar as vasilhas”, afirma a auxiliar administrativa do estabelecimento Jéssica Damasceno Borges, 26. Em dezembro, o restaurante chegou a ficar fechado por falta de água, segundo Jéssica.

Sem água
Afetados
. Segundo denúncias de leitores do portal O TEMPO, a região metropolitana de Belo Horizonte já está com 23 bairros com problemas de abastecimento de água.

Saiba mais
Afetados
. Divulgado nesta semana, levantamento do Estado mostra que 150 municípios mineiros haviam registrado problemas de falta de água. No caso dos abastecidos pela Copasa, eram 87 – são 629 no total.

Racionamento. Nos 224 que não são atendidos pela Copasa, 63 implantaram algum tipo de medida de economia de água – 49 optaram pelo racionamento e 14 iniciaram o rodízio de abastecimento.

Graves. Em Campanário, no Rio Doce, e em Urucânia, na Zonada Mata, a situação era de “colapso”. Outros 62 municípios estavam em “iminente colapso”.

Mateus Leme lança nesta sexta ‘Agenda Azul’

A Prefeitura de Mateus Leme, na região metropolitana, lança nesta quinta o programa Agenda Azul, de preservação de mananciais e uso racional da água. “Fizemos um levantamento das microbacias que ajudam a (represa) Serra Azul e queremos identificar onde estão as perdas do sistema hídrico”, afirma o secretário de Meio Ambiente, Elvis Gaia. Ele diz ainda que vai levantar os principais consumidores de água no processo produtivo e estuda um incentivo fiscal para quem baixar o consumo.

De acordo com Gaia, as captações irregulares na área rural “precisam ser coibidas”. No entanto, ele admite que os produtores têm dificuldade de obter o licenciamento. “O processo é complexo e burocrático”.

 

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