18/07/2016

10:31

Por: Alberto Silva

Veja os 13 locais históricos destruídos pelo Estado Islâmico

Para afirmar a superioridade do Islamismo, o Estado Islâmico tem se esforçado para destruir sítios arqueológicos e históricos de civilizações e religiões antigas, numa tentativa de apagar o passado.

Desde 2013, o autoproclamado Estado Islâmico do Iraque e do Levante – também conhecido pelas siglas ISIL ou ISIS, na tradução do nome do grupo em inglês – luta pela conquista de territórios na Síria e no Iraque, travando uma guerra que já deixou mais de 230 mil mortos e milhões de desabrigados.

Além de tomar posse de cidades sírias e iraquianas, o grupo pretende instaurar um califado, uma forma de governo monárquico e totalitário comandado pela sharia, um conjunto de leis da fé do Alcorão (o livro sagrado do Islamismo), da Suna (os escritos sagrados sobre a vida do profeta Maomé) e uma mistura de tradições e costumes dos primeiros séculos do Islã.

Para afirmar a superioridade do Islamismo, o Estado Islâmico tem se esforçado paradestruir sítios arqueológicos e históricos de civilizações e religiões antigas, numa tentativa de apagar o passado.

Em agosto de 2015, um vídeo produzido pelo grupo chocou historiadores do mundo todo. Armado com tratores, explosivos e outras ferramentas de destruição, o Estado Islâmico destruiu o Templo de Baal-Shamin, construído na cidade síria de Palmira, por volta do século II a.C. Desde 1980, o templo dedicado à divindade Baal – também chamado de Baal-Shamin ou Beelshamên – era um Patrimônio Mundial da Humanidade da UNESCO, que classificou sua destruição como um gravíssimo crime de guerra.

Em quase três anos de conflitos, o ISIS destruiu, pelo menos, treze sítios arqueológicos ou ruínas históricas. Confira abaixo uma lista com os alvos conhecidos:

Palmira

As ruínas da cidade antiga de Palmira, na Síria, foram tomadas pelos militantes do Estado Islâmico em maio de 2015. Na época, o grupo prometeu não tocar nos sítios históricos, mas as promessas não foram cumpridas.Três meses depois, o arqueólogo sírio Khaled al-Asaad, que conduzia pesquisas nas ruínas há décadas, foi executado publicamente e seu corpo foi pendurado em uma coluna de um dos templos antigos, sem a cabeça.

No mesmo mês da morte do pesquisador, os militantes do ISIS explodiram o Templo de Baalshamin, que tinha mais de 1900 anos de história e era um dos espaços mais prolíficos para arqueólogos e pesquisadores descobrirem traços das antigas civilizações da região.

Desde então, os militantes do grupo têm destruído qualquer traço que revele o passado de Palmira, cidade que fica num oásis e era parada obrigatória para os comerciantes da Rota da Seda, que faziam o famoso caminho revelado pelo escritor, explorador e mercador Marco Polo, trocando e vendendo mercadorias entre o Oriente e o Ocidente.

A cidade, que foi parte do Império Romano até o ano 273, era um dos principais pontos turísticos da Síria, até ser tomada pelos militantes do ISIS.

Mosteiro do Mártir Elian

No mesmo mês em que destruiu o Templo de Baalshamin, o Estado Islâmico demoliu o Mosteiro de Mar Elian, construído há mais de 1500 anos, na cidade síria de al Qaryatain.

O mosteiro era um importante ponto de peregrinação de cristãos, que, anualmente, no dia 9 de setembro, peregrinavam ao local para relembrar a história do santo católico Elian de Homs, morto pelo Império Romano em em 285 d.C. por se recusar a renunciar ao cristianismo.

O padre responsável pela igreja, Jacques Murad, foi sequestrado meses antes da destruição do templo e o seu paradeiro é desconhecido.

Apameia

As ruínas da cidade histórica de Apameia têm sido saqueadas e violadas desde o início da Guerra Civil Síria, mas foi a partir da chegada do Estado Islâmico na região que a situação piorou. Imagens de satélite revelam buracos e escavações em todo o sítio arqueológico e mosaicos romanos até então desconhecidos foram retirados de Apameia e vendidos no mercado negro, levantando fundos para bancar as ações do grupo.

Apameia foi levantada durante o Império Selêucida, em 300 a.C., pelo rei Seleuco I Nicator que nomeou a cidade em homenagem à sua esposa, Apama. Durante a era cristã, nos anos d.C., era um importante centro de conhecimento e filosofia, também sendo uma das mais populosas cidades da região, alcançando 500 mil habitantes.

As ruínas destruídas pelos militantes eram herança do Império Bizantino, que comandou a região entre 395 a.C. e 1450 a.C.

Dura Europos

Outra cidade histórica derrubada pelo Estado Islâmico é Dura Europos, próxima à fronteira entre a Síria e o Iraque, nas margens do rio Eufrates. A cidade foi construída durante o Império Selêucida, mas as ruínas remanescentes eram da época em que foi um importante entreposto comercial e marítimo do Império Parta, entre 247 a.C. e 224 d.C.

No sítio arqueológico destruído pelo ISIS havia ruínas de casas, da cidadela e do palácio da cidade, além de um templo de Ártemis, deusa grega ligada à caça e à vida selvagem.

Mari

De acordo com relatos locais e imagens de satélites, as ruínas da cidade de Mari são saqueadas e destruídas sistematicamente desde que o Estado Islâmico tomou posse da região.

A cidade conheceu seu ápice durante a Era de Bronze, entre 3000 e 1600 a.C., e era fonte riquíssima de pesquisas para os arqueólogos, que estudavam as ruínas de templos e palácios e as muitas pedras e peças de cerâmica com inscrições da época.

Hatra

Em 2014, a cidade histórica de Hatra, no Iraque, foi tomada pelo Estado Islâmico para ser utilizada como depósito de armas e campo de treinamento de novos soldados. Em abril de 2015, o grupo divulgou um vídeo que mostrava militantes usando grandes martelos e armas para destruir escultras e estruturas antigas. A diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, disse que “a destruição de Hatra é um momento decisivo na lamentável estratégia de limpeza cultural no Iraque”.

Construída por volta do ano 300 a.C., a cidade foi capital do primeiro reino árabe da região, um dos únicos a resistir à invasão do Império Romano no segundo século dos anos d.C. Com a destruição, os historiadores e arqueólogos perderam a chance de estudar uma das arquiteturas mais curiosas da história, que misturava conceitos estéticos romanos e gregos, com estruturas que chegavam a ter 70 metros de altura.

Nínive

Quando tomaram a cidade iraquiana de Mossul, em 2014, os militantes do Estado Islâmico destruíram boa parte da arquitetura e das esculturas das ruínas de Nínive, que, antes de sua quase completa destruição pelos membros do grupo, era o maior sítio arqueológico do Oriente, com mais de 750 hectares.

A cidade foi construída durante o Antigo Período Assírio, que durou entre os séculos XX a.C e XV a.C. e foi um dos primeiros reinos do mundo. Nínive foi uma das muitas capitais do império e é considerada pelos historiadores uma das maiores cidades do mundo durante os séculos VII a.C., sendo mencionada na Bíblia pelo profeta Jonas como “uma cidade excessivamente grande”.

Museus e bibliotecas de Mossul

Relatos de destruição de história e conhecimento começaram a surgir assim que o Estado Islâmico tomou a cidade de Mossul, no meio do ano de 2014. Manuscritos com centenas de anos de idade e milhares de livros se perderam no mercado negro. A biblioteca da Universidade de Mossul foi queimada em dezembro daquele ano.
Em fevereiro de 2015, a biblioteca central de Mossul, construída em 1921, foi explodida com milhares de manuscritos e instrumentos usados por cientistas árabes.

Por fim, alguns meses depois, o Museu de Mossul foi violentamente atacado. O grupo registrou em vídeo seus militantes destruindo a estrutura do lugar e diversas estátuas e obras de arte.

Nimrud

Boa parte do que foi encontrado no sítio arqueológico de Nimrud, no norte do Iraque, foi enviado a museus nos Estados Unidos e na Inglaterra, mas as estruturas e arquitetura da cidade, construída há 3200 anos, foi perdida para sempre com a invasão do Estado Islâmico.

O Ministério do Turismo e Antiguidade do Iraque informou que ainda não é possível avaliar o tamanho do estrago feito pelos militantes extremistas, mas que boa parte do sítio e da muralha de 360 hectares foi destruída por tratores do Estado Islâmico.

Khorsabad

Capital durante o Antigo Período Assírio, a cidade de Khorsabad, também conhecida como Dur Sharrukin, começou a ser erguida pelo Rei Sargão II, que morreu antes de ver o fim de sua principal obra. O príncipe Senaqueribe transferiu a capital do império para Nínive e as obras na antiga cidade nunca foram terminadas.

Em março de 2015, o Estado Islâmico destruiu boa parte das ruínas milenares do sítio arqueológico, incluindo o palácio do Rei Sargão II. Por sorte, boa parte das relíquias, estátuas e pinturas hoje estão no Museu Iraquiano de Bagdá, em universidade de Chicago ou no Museu do Louvre, em Paris.

Mosteiro do Mártir São Behnam e sua irmã Sarah

Construído pelo rei assírio Senchareb como penitência por ter matado seus filhos Benham e Sarah, que haviam se convertido ao cristianismo, o mosteiro ficou sob os cuidados da Igreja Ortodoxa Síria e resistiu aos ataques das hordas de Gengis Khan, mas caiu nas mãos do Estado Islâmico em março de 2015. Os extremistas islâmicos explodiram o monastério, incluindo a tumba dos mártires e toda a decoração do local.

Mesquita do profeta Yunus (Jonas)

A mesquita iraquiana era dedicada à figura bíblica de Jonas, também considerado profeta por muitos muçulmanos. Mas o Estado Islâmico, que defende uma interpretação conservadora e extremista do Islamismo, considera a adoração de profetas como Jonas proibida. Em julho de 2015, os militantes evacuaram a mesquita e a explodiram.

Mausoléu de Imam Dur

O mausoléu, que fica próximo à cidade iraquiana de Samarra, era um dos maiores exemplos preservados de arquitetura e decoração medieval islâmica. Foi destruído pelo Estado Islâmico em outubro de 2015.

(Via Agencia)

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