14/01/2016

06:54

Por: Alberto Silva

Terrorista contratado como professor na UFRJ deixará o Brasil, antes de ser preso

De origem argelina, Adlène Hicheur cumpriu pena por terrorismo na França. Físico enviou e-mail à reitoria da UFRJ comunicando que deixará o país.

O físico Adlène Hicheur, condenado por terrorismo na França e que atualmente dá aulas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), enviou um e-mail à reitoria da instituição informando que decidiu deixar o Brasil.

A decisão foi tomada após reportagem na edição do último fim de semana da revista “Época”, que revelou que o físico, de origem argelina, foi condenado por terrorismo na França. Preso em 2009, cumpriu a pena e chegou ao Brasil em 2013. A UFRJ diz que a contratação do professor seguiu os tramites habituais.

Hicheur não informou quando pretende deixar o Brasil, mas já confirmou à UFRJ que irá embora.

A Polícia Federal monitorava Adlène Icheur desde 2013. Em outubro do ano passado, agentes fizeram buscas na casa dele, no Rio, e na UFRJ. O visto de trabalho do professor vale até julho deste ano.

Nesta terça-feira, a presidente Dilma Roussef conversou sobre o assunto com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que avalia quais medidas pode tomar.

“Eu não posso dar detalhes daquilo que efetivamente se coloca. Por isso, a questão está sendo estudada do ponto de vista jurídico pelo Ministério da Justiça, pelo Itamaraty, pela Casa Civil, para que possamos então ter uma definição a respeito”, afirmou Cardozo nesta terça.

Adlene só sai do país se a UFRJ cancelar o contrato de trabalho – já que a permanência no Brasil está vinculada a isso – ou se o Ministério da Justiça decidir cancelar a permissão para ele ficar no país.

Em carta a colegas, o professor disse que foi preso de forma injusta e que somente visitou sites islâmicos subversivos.

O caso
Decisão da Justiça francesa, à qual o Jornal Nacional teve acesso, cita mensagens trocadas entre Hicheur e um representante da rede terrorista Al Qaeda encontradas em buscas na casa do professor, em Ornéx, na França. O JN teve acesso a 35 emails que comprovariam relações do professor com a organização.

Em junho de 2009, ele recebe a proposta em francês:

“Caro irmão, vamos ser diretos: você está disposto a trabalhar dentro de uma unidade em ativação na França? Quais ajudas seriam possíveis oferecer? Quais suas sugestões?”

Ele responde que sim e diz que queria morar na Argélia, mas pode mudar seus planos e ir para a Europa se a estratégia for “trabalhar dentro da casa do inimigo e esvaziar o sangue das suas forças”.

O integrante da Al Qaeda comemora: “Por Deus, você me agradou muito”.

A Justiça francesa cita também documentos encontrados na casa de Hicheur sobre a historia do Islã. Um deles traz indicações sobre fuzis de precisão e detalhes militares.

Compartilhe:

Comentários

* O Pensa Brasil não se responsabiliza pelo conteúdo dos comentários e se reserva o direito de eliminar, sem aviso prévio ao usuário, aqueles em desacordo com as normas do site ou com as leis brasileiras.

Mais Lidas

105