21/04/2016

00:05

Por: Alberto Silva

Segundo petistas DILMA vai acabar com imagem do Brasil na ONU, destruição total

É um desserviço que ela presta ao país, querendo se vitimizar e apresentando uma visão falsa da realidade institucional brasileira. Quem comete crimes tem que ser punido de acordo com as normas e procedimentos previstos na lei.

Deputados, senadores e militantes próximos a Dilma declararam hoje que a presidente deve sim usar a tribuna da ONU e dizer que o Brasil não tem leis, e que ela está sofrendo o maior golpe da história. Isso poderá impactar de forma negativa e irreversível. O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) criticou nesta quarta (20) em Washington a decisão da presidente Dilma Rousseff de usar sua viagem a Nova York para se defender do processo de impeachment.

Segunda a Folha apurou, a presidente espera obter apoio internacional e pretende fazer um discurso duro contra o impeachment na cerimônia de assinatura do Pacto de Paris, na ONU (Organização das Nações Unidas), na próxima sexta (22).

“É um desserviço que ela presta ao país, querendo se vitimizar e apresentando uma visão falsa da realidade institucional brasileira. Quem comete crimes tem que ser punido de acordo com as normas e procedimentos previstos na lei. O presidente que comete crime de responsabilidade tem que arcar com as consequências e a penalidade é a perda do mandato”, disse o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Só espero que ela não faça dessa visita uma plataforma para a campanha que está fazendo e que é muito nociva ao pais, de que há um golpe em marcha

“Só espero que ela não faça dessa visita uma plataforma para a campanha que está fazendo e que é muito nociva ao pais, de que há um golpe em marcha”.

Para ele, a ofensiva internacional de relações públicas não vai surtir efeito porque Dilma vai permanecer na presidência “por muito pouco tempo, e todos sabem disso”.

Ele afirmou que a ação de Dilma difunde uma imagem negativa aos investidores, de que o Brasil é uma “república de bananas”.

O senador chegou à capital dos EUA na segunda (18) para uma série de encontros com autoridades americanas –entre elas, membros do Congresso eThomas Shannon, ex-embaixador dos EUA no Brasil e atualmente subsecretário de Assuntos Políticos do Departamento de Estado.

Segundo Nunes Ferreira, todos estavam interessados em saber mais sobre os procedimentos do processo de impeachment.

A posição dos EUA, afirmou o senador, é de reconhecimento de que as instituições brasileiras estão funcionando e de compromisso com a não interferência nos assuntos domésticos do país. Shannon observou, segundo o senador, “que está sendo observada a Constituição e que o Brasil tem todas as condições de resolver essas crises rapidamente”.

GOVERNO TEMER

Sobre um eventual governo de Michel Temer, o senador disse ser “natural” que o PSDB participe de seu ministério se forem atendidas as condições do partido, mas afirmou que não estão ainda negociando cargos.

“Nós fomos protagonistas do impeachment”, disse. “Não podemos simplesmente dizer ‘tiramos a presidente, agora cruzamos os braços’. Não tem cabimento”.

Sobre o fato de que muitos políticos que apoiam o impeachment serem alvo de investigações e ele próprio ter sido citado numa delação premiada por suposto financiamento ilícito de campanha, Nunes Ferreira disse que “quem for acusado tem que responder por ser seus atos”.

No ano passado, o STF (Supremo Tribunal Federal) autorizou a abertura de inquérito contra o senador com base na delação premiada do empresário Ricardo Pessoa, dono da construtora UTC, de que Nunes Ferreira teria recebido R$ 200 mil em caixa dois para sua campanha ao Senado.

Segundo ele, posteriormente o empresário afirmou à Polícia Federal que nunca havia tratado de financiamento de campanha com ele.

“Sou o principal interessado na conclusão da investigação”, disse o senador. “Para mim é um sofrimento, eu quero encerrar o mais rapidamente possível”.

VIAGEM MARCADA

Ele negou que tenha vindo a Washington a pedido de Michel Temer para rebater a narrativa do PT de que o impeachment é um golpe, afirmando que a viagem já estava marcada “com bastante antecedência”.

Mas o tema foi abordado em todos os encontros que teve nos EUA, disse o senador. Além de conversar com Shannon e participar de um encontro com empresários, ele também esteve com o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Bob Corker, da oposição republicana, e o líder dos democratas na comissão, Benjamin Cardin.

Na última semana, Temer ligou para o senador e manifestou indignação com as recentes declarações de Luis Almagro, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), e Ernesto Samper, Secretário Geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

O senador afirmou que cancelou o encontro que teria com o secretário-geral da OEA (Organização de Estados Americanos), o uruguaio Luis Almagro, devido a suas declarações questionando a legalidade do processo de impeachment.

Segundo Nunes Ferreira, Almagro “se arvora” a usar a OEA para emitir opiniões pessoais, “de olho no público uruguaio”. Ele mandou uma carta à OEA manifestando seu incômodo com as declarações de Almagro, que chamou de “inconvenientes e abusivas”.

ANTI-IMPEACHMENT

Nesta terça (19), o senador foi abordado em Washington por manifestantes anti-impeachment que estavam com cartazes em inglês “No coup in Brazil” [“Sem golpe no Brasil”] e gritavam “Não vai ter golpe”.

Sobre o ocorrido, ele disse, por meio de assessoria, que “crentes que estavam fazendo história, faziam na verdade malcriação. O problema delas é adormecer sonhando com Che Guevara e acordar nos braços de Nestor Cerveró. Isso passa!”

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