12/05/2016

11:28

Por: Alberto Silva

Repercussão do afastamento da presidente Dilma Rousseff

"Percebemos que, nas últimas semanas, com a perspectiva do impeachment, houve claramente uma mudança de humor.

Veja como foi a repercussão logo pela manhã após afastamento de Dilma Rousseff. “Percebemos que, nas últimas semanas, com a perspectiva do impeachment, houve claramente uma mudança de humor. As pessoas estão com um pouco mais de confiança com o desenho da política econômica do futuro. Mas a expectativa tem de se transformar em ação. Para desengavetar seus projetos, as empresas e os empresários estarão prestando atenção à agenda apresentada e desenvolvida, e o primeiro desafio [do governo] é mostrar que tem um plano coerente para a questão fiscal. Também precisa melhorar o ambiente de negócios em questões regulatórias de baixo custo fiscal que exigem coordenação política, caso da regulamentação da lei da biodiversidade. Não há uma bala de prata, mas cinco ou seis iniciativas que mostrarão que o regime mudou.”
JOSÉ AUGUSTO FERNANDES, diretor de Políticas e Estratégia da CNI (Confederação Nacional da Indústria)

“Esperamos que o Brasil possa dar o próximo passo em direção às reformas estruturantes, para diminuir o custo Brasil. Claro que a [reforma] previdenciária é importante, mas tributos e assuntos da relação de trabalho são coisas que sentimos na carne, como é tão caro a operação por aqui.”
WESLEY BATISTA, presidente da JBS S/A

“A nossa expectativa não tem relação partidária, mas esperamos que se vire a página dessa crise política porque a economia está derretendo e as empresas estão fechando ou demitindo. Não dá mais para postergar os ajustes importantes. Nós precisamos agir para que se volte o consumo, o crescimento e os investimentos do país. A indústria de máquinas e equipamentos é a primeira a sofrer e a última a reagir em uma crise. Precisamos ter governantes com perfil de estadistas e que não pensem na próxima eleição, mas na geração que virá. Abre-se uma janela de esperança em um primeiro momento, mas que poderá ser fechada rapidamente se o novo governo não mostrar rapidamente a que veio.”
CARLOS PASTORIZA, presidente do Conselho de Administração da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos)

Esperamos que o Brasil possa dar o próximo passo em direção às reformas estruturantes, para diminuir o custo Brasil. Claro que a [reforma] previdenciária é importante, mas tributos e assuntos da relação de trabalho são coisas que sentimos na carne, como é tão caro a operação por aqui." WESLEY BATISTA, presidente da JBS S/A

“Estou triste e preocupado, mas nem dá mais para discutir. Isso [impeachment] já é passado. Precisamos resolver nossos problemas, nos modernizar, ir pra frente, e esse processo [de impeachment] só retarda tudo. A saúde é um ponto absolutamente nefrálgico desse futuro governo. Nós temos muitos problemas que precisam de respostas imediatas, não dá para esperar.”
DAVID UIP, infectologista e secretário do Estado de SP da Saúde

“Cada um enxerga o mundo com os valores que carrega no coração. Como médico e, principalmente, como cidadão, vivo um momento insuportável. Não por causa de números, estatísticas ou leis insondáveis, mas sim porque a sociedade brasileira foi devastada por governantes que arruinaram a vida e o futuro de um número despropositado de membros da nação.”
MIGUEL SROUGI, urologista e professor da USP, defensor do impeachment de Dilma

“[O impeachment] foi um processo manipulado pelo interesse de uma oposição desorganizada, que nunca deixou clara qual seria a sua proposta para o país. Foi uma manipulação política, de poder, para tirar o PT e a Dilma. É claro que qualquer pessoa que tenha apoiado a esquerda ou o PT no governo tem noção de muitos dos erros do PT nessa gestão. É importante que a gente perceba que foi a esquerda quem convidou os vampiros para entrar em casa. O PT está colhendo o fruto de vários erros, inclusive desvios éticos graves.”
FELIPE HIRSCH, diretor e dramaturgo, cofundador da Sutil Companhia de Teatro

“Faço das palavras do [jornalista ganhador do Pulitzer em 2014] Glenn Greenwald as minhas: ‘Eles cansaram de perder eleições; então, em vez de continuar tentando, resolveram destruir a democracia’.”
PAULO LINS, escritor, autor de “Cidade de Deus”

“Vendo o motivo -as pedaladas-, percebo que [o impeachment] é coisa que pode ser manipulada; é algo pantanoso. Vendo os senadores falando na TV hoje, fica claro que [pedaladas] são meio que uma desculpa: todos estão descontentes com outras coisas. Eu sou contra a anulação do poder do voto. Mas, ao mesmo tempo, seria ingenuidade minha acreditar que PT, Lula e Dilma lutam pelo povo -veja a dívida pública, os lucros dos bancos sempre crescentes, os conchavos… Por outro lado, o governo do Temer é um retrocesso. É uma mentalidade maluca, que vai contra as conquistas de mulheres, de gays, de negros. Mas fico otimista com mudança: tínhamos de ser chacoalhados.”
ZED NESTI, artista plástico, autor da exposição parainglesver.com

“Como leigo que desconhece as filigranas da Justiça, acho que teria sido, senão mais justo, pelo menos mais convincente que Dilma fosse afastada pelo conjunto da obra e não pelos dois motivos a que o julgamento ficou restrito. Por isso, não comemorei nem lamentei o desfecho. Fiquei, sim, apreensivo com o que vai acontecer daqui para a frente, que é o que interessa agora. Temer terá que provar em pouquíssimo tempo que não apenas não será mais do mesmo, mas que será melhor, ou seja, que não houve a troca de seis por meia dúzia. Para enfrentar uma crise sem precedente, ele vai ter pela frente o PT, que, como já provou, é mais competente na oposição do que no governo. Lula, do lado de fora, comandando os movimentos sociais, pode incendiar um país com 12 milhões de desempregados -a não ser que a Lava-Jato… Mas aí ninguém está livre, nem o próprio Temer.”
ZUENIR VENTURA, jornalista e escritor, autor de “1968: O Ano que Não Terminou”

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