17/11/2015

17:25

Por: Alberto Silva

PMDB estaria pronto para dar o golpe, abandonar o PT e empossar TEMER como Presidente?

Vice-presidente da República Michel Temer negou nesta terça-feira, ao chegar ao congresso do PMDB em Brasília, que o partido tenha uma data para abandonar o governo Dilma Rousseff. "O PMDB não vai sair", disse o vice. Faltou combinar com os militantes da legenda, que o receberam com gritos de "Brasil pra frente, Temer presidente".

Como mostrou VEJA em reportagem publicada nesta semana, o vice-presidente se prepara para a cada vez mais presente eventualidade de a titular ser afastada do poder. Temer já conversa com políticos, juristas e empresários enquanto traça um plano para si e para o Brasil pós-Dilma.

Ao chegar ao congresso, o vice não escondeu que o plano do PMDB é chegar ao poder, como qualquer partido político. Segundo ele, as divergências entre os integrantes da sigla são naturais: parte do PMDB prega abertamente a ruptura com o governo federal e até o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Outra parte defende o adiamento desse rompimento, de modo a usufruir um pouco mais dos cargos conseguidos na reforma ministerial de outubro. “Mesmo os que querem a saída do governo querem colaborar com o país. E este programa que estamos fazendo é para o país”, disse o vice, referindo-se ao plano econômico apresentado pelo partido durante o congresso.

O congresso da Fundação Ulysses Guimarães marca um posicionamento claro do PMDB como alternativa ao governo Dilma Rousseff, ameaçado pela instabilidade econômica, pela crise política e por ações na Justiça Eleitoral. O partido organizou um texto para debate com propostas econômicas antagônicas às do PT.

Denunciado ao Supremo Tribunal Federal por envolvimento no petrolão, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) chegou a ser alvo de vaias quando tomou a palavra. Mas o movimento foi rapidamente abafado. Cunha pregou independência total do partido e afirmou que o PMDB está decidido a ter um candidato próprio à Presidência da República. “Ninguém mais tem dúvida de que o PMDB tem que buscar um caminho próprio e que vai ter que disputar a eleição em 2018. O PMDB terá candidato e isso é inevitável em 2018 e vai disputar em 2016 todas as eleições que puderem ser disputadas”, afirmou Cunha, investigado pela Operação Lava Jato e alvo de um processo por quebra de decoro parlamentar. “A discussão é se o PMDB tem ou não tem que ficar atrelado ao projeto que aí está, do qual não participamos, não formularmos. Nós não temos compromisso com o que está aí colocado, porque não participamos da formulação. Nossa voz não pode ser abafada por meia dúvida de carguinhos.”

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), não defendeu o rompimento abertamente. “O Brasil vive um momento complicado e o PMDB está fazendo a sua parte apresentando um programa, mesmo que não haja convergência sobre todos os pontos do programa”, disse. “O PMDB está apresentando propostas não para o governo, mas para o Brasil. Precisamos sair dessa situação de crise que tende a se agravar se não houver uma saída.”

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