25/04/2016

10:56

Por: Alberto Silva

País volta a estaca zero, crise aumenta desigualdade de renda do trabalho

Também houve aumento da desigualdade em cinco Estados do Nordeste, especialmente no Rio Grande do Norte (de 0,476 para 0,515) e no Maranhão (de 0,490 para 0,512). O Piauí continua o mais desigual de todo o país, com um índice de 0,573.

Trocando em miúdos e falando a verdade, a presidente Dilma Rousseff consegui retroceder o país pelos menos 20 anos atrás. O cenário é de medo, desigualdade, mais de 10 milhões de carteira não assinada, pais de famílias entrando em desespero. O Brasil registrou na média uma pequena alta na desigualdade ao fim de 2015.
Em São Paulo e em alguns Estados das regiões Norte e Nordeste, no entanto, a concentração da renda cresceu com mais intensidade, mostram cálculos do Bradesco.

O índice de Gini brasileiro do rendimento do trabalho passou de 0,498 no quarto trimestre de 2014 para 0,499 no quarto trimestre de 2015 –quanto mais próximo de zero, mais igualitária é a distribuição da renda. Em São Paulo, o indicador foi de 0,493 para 0,507, no mesmo período.

Pelos cálculos do banco, a desigualdade cresceu em 12 das 27 unidades da Federação no quatro trimestre do ano passado ante o mesmo período do ano anterior.

No Estado mais rico do país, a crise foi acompanhada de aumento acelerado da desigualdade no ano passado. Em 2014, quando a economia ficou estagnada, o índice de São Paulo já havia subido, de 0,473 para 0,493.

Apenas na região Sul do país o indicador que mede a distribuição de renda não piorou em nenhum Estado.

O Estado de São Paulo é considerado um farol da economia, por refletir mais rapidamente a piora do mercado de trabalho. O que acontece no Estado é acompanhado depois no resto do país.

Segundo Ana Maria Barufi, economista do Bradesco, a piora do emprego e da renda em São Paulo a partir de meados de 2014 interrompeu a trajetória de queda do indicador nos últimos anos.

“Os primeiros afetados [pela crise] são os indivíduos da parte inferior da distribuição de renda, cuja reposição em eventual retomada da economia é mais barata e fácil.”

O PIB brasileiro caiu 3,8% em 2015 e tende a registrar nova forte recessão neste ano.

No Estado mais rico do país, a crise foi acompanhada de aumento acelerado da desigualdade no ano passado. Em 2014, quando a economia ficou estagnada, o índice de São Paulo já havia subido, de 0,473 para 0,493.

Samuel Franco, do Iets (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade), pesquisou as desigualdades regionais e chegou a conclusões semelhantes às do Bradesco.

“Os trabalhadores mais pobres em São Paulo tiveram uma perda de 1,4% ao ano nos últimos três anos, e os mais ricos, um ganho de 1,9%. Isso está por trás do aumento da desigualdade no Estado”, disse Franco.

Pelos dados do banco, o índice de Gini aumentou em 4 dos 7 Estados do Norte, com destaque para o Amazonas (0,515) e o Acre (0,473), que tiveram piora de 4% e 3% no indicador, respectivamente.

Também houve aumento da desigualdade em cinco Estados do Nordeste, especialmente no Rio Grande do Norte (de 0,476 para 0,515) e no Maranhão (de 0,490 para 0,512). O Piauí continua o mais desigual de todo o país, com um índice de 0,573.

O estudo tem como base os microdados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), realizada pelo IBGE, e considera o rendimento habitual dos trabalhadores.

Por se referir à renda do trabalho, a pesquisa não inclui programas como o Bolsa Família, o que poderia minimizar a piora. Com a crise fiscal, porém, o benefício do programa não teve aumento real no ano passado.

A piora na distribuição de renda é especialmente ruim num momento de queda nos salários reais, segundo Marcelo Neri, diretor da FGV Social. Pela Pnad Contínua, a renda real (descontada a inflação) caiu 2% no fim do ano passado, para R$ 1.953.

“O bolo da renda não apenas murchou como murchou mais para os mais pobres. E essa grande virada foi no último trimestre de 2015”, afirmou Neri, ex-ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Especiais da Presidência no governo Dilma Rousseff.

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