21/09/2016

09:41

Os diferentes interesses e atitudes das delegações que boicotaram Temer na ONU

Venezuela, Equador, Nicarágua, Bolívia, Cuba e Costa Rica protestaram no plenário enquanto presidente discursava na abertura da Assembleia Geral

Por: Alberto Silva

Quando o presidente Michel Temer discursou na abertura da Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira (20), Venezuela, Equador, Nicarágua, Bolívia, Cuba e Costa Rica protestaram no plenário. Exceto pela Costa Rica, os países integram a Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba), bloco que tem se manifestado contra o impeachment de Dilma Rousseff e expressava afinidade com os governos petistas.

Membro de uma das delegações que aderiram ao ato, um diplomata que pediu para não ser identificado afirmou à BBC Brasil que a decisão foi coordenada pela Alba com antecedência. Houve, porém, diferenças nas formas como os países protestaram, que sinalizam sutilezas nas formas como cada um se posiciona em relação ao impeachment.

Equador, Venezuela e Nicarágua esvaziaram suas bancadas assim que Temer foi anunciado no microfone, num gesto de afronta ao presidente. A Bolívia, por sua vez, não aderiu à debandada, mas manteve o chefe de sua delegação na ONU fora da sala até que o discurso terminasse, posição parecida à adotada por Cuba. La Paz já vinha se posicionando de maneira mais moderada do que seus pares bolivarianos em relação ao impeachment.

Após a posse de Temer, a Bolívia se uniu a Equador e Venezuela ao convocar seu embaixador em Brasília. No linguajar diplomático, convocar um embaixador sinaliza repúdio a um governo.

Ao anunciar os gestos, os presidentes da Venezuela, Nicolas Maduro, e do Equador, Rafael Correa, criticaram duramente a deposição de Dilma. Após o impeachment, o governo venezuelano se tornou alvo frequente de críticas da Chancelaria brasileira e foi impedido de assumir a presidência do Mercosul, em gesto coordenado com outros membros do bloco.

Tom mais brando
No caso da Bolívia, porém, o tom foi mais brando, e o chanceler David Choqueuanca disse que a convocação do embaixador em Brasília era “só para ter informação sobre o ocorrido no Brasil”, ou seja, não indicava um rompimento das relações. O Brasil é grande comprador do gás natural boliviano, e La Paz pretende melhorar os termos do acordo que rege as transações.

Cuba, que sequer convocou o embaixador em Brasília, também negocia com o Brasil a participação de cubanos no programa Mais Médicos.

(Via agencia)

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