21/11/2015

11:03

Por: Alberto Silva

ONU quer acabar com Estado Islâmico e pede ‘todas as medidas necessárias’ para isso.

O Conselho de Segurança da ONU pediu nesta sexta-feira (20) o uso de "todas as medidas necessárias" para acabar com o Estado Islâmico e a ameaça "sem precedentes" que o grupo radical impõe.

Por unanimidade, os 15 membros do principal órgão de decisão das Nações Unidas adotaram a resolução 2249, impulsionada com urgência pela França em resposta aos atentados do último dia 13, que deixaram 130 mortos em Paris.

“Contra o EI, temos a humanidade em comum. Nós, os povos das Nações Unidas, temos o dever de defendê-la”, declarou o embaixador francês, François Delattre.

O texto propõe “redobrar e coordenar” a luta antiterrorista, expressa a intenção de ampliar as sanções contra indivíduos e entidades vinculadas com o EI e pede mais esforços para deter o fluxo de combatentes estrangeiros rumo ao Oriente Médio.

Apesar de seu pedido de usar “todas as medidas necessárias” contra os terroristas, a resolução para antes de invocar o capítulo 7 da Carta das Nações Unidas —que daria margem legal para o emprego da força. Trata-se assim de uma chamada política à ação e de passar a mensagem de unanimidade dentro da comunidade internacional do repúdio às ações do grupo terrorista.

O documento condena “nos termos mais duros” os “horrendos ataques terroristas realizados pelo EI” em junho na cidade tunisiana de Sousse e em outubro em Ancara, além da derrubada de um avião russo sobre o Sinai e a tragédia em Paris, assim como todos os demais atentados cometidos pelo grupo.

Segundo o Conselho de Segurança, a organização jihadista “tem a capacidade e a intenção de realizar mais ataques” e representa uma “ameaça global e sem precedentes à paz e segurança internacionais”.

Delattre repetiu as palavras do presidente francês, François Hollande, e assegurou que o EI cometeu em Paris um “ato de guerra” contra a França.

Perante essa agressão, o governo francês tem uma “determinação absoluta” para combater os terroristas e buscará conseguir “a mobilização mais ampla possível” da comunidade internacional nesse esforço, completou.

Hollande, que divulgou um comunicado neste sábado celebrando a decisão do Conselho, se reunirá na próxima semana com líderes dos EUA, Alemanha e Rússia para debater um esforço conjunto contra o grupo.

O premiê britânico, David Cameron, também comentou a decisão da ONU, a qual disse marcar um momento importante. “Eu continuarei garantindo que nós façamos mais e consigamos apoio no Parlamento para as medidas que creio serem necessárias que o Reino Unido adote para proteger nossa própria segurança, como parte de uma estratégia internacional”, disse.

DESENTENDIMENTOS SOBRE A SÍRIA

Apesar de todos os membros do Conselho de Segurança respaldarem a resolução, ainda há uma clara brecha entre as potências ocidentais e a Rússia em torno do conflito na Síria, um dos países de refúgio dos terroristas o Estado Islâmico.

Depois que a França anunciou na segunda-feira que levaria a questão à ONU, Moscou apresentou outra minuta de resolução, com um caráter mais geral e baseado em outra que tentou levar adiante no final de setembro, sem sucesso.

O problema principal desse texto era que exigia o “consentimento” dos Estados para atuar contra o terrorismo em seu território, o que para a França e o Reino Unido significaria dar um respaldo inaceitável ao regime sírio do ditador Bashar al Assad.

O embaixador russo, Vitaly Churkin, elogiou nesta sexta-feira a iniciativa francesa como um passo adiante para criar um “frente antiterrorista” e insistiu que essa é também a intenção da Rússia, que desde setembro advoga por uma “grande coalizão” contra o EI.

Churkin assegurou que seguirá trabalhando para a adoção do texto russo e tachou as “tentativas de alguns membros” de bloqueá-lo como uma “política míope”.

Há mais de um ano uma coalizão liderada pelos EUA ataca pelo ar posições do EI na Síria e no Iraque, enquanto a Rússia começou em setembro seus próprios bombardeios, que segundo o Ocidente atingiram majoritariamente outros grupos de oposição, não só os jihadistas.

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