17/04/2016

10:29

Por: Alberto Silva

O fracasso de LULA, na tentativa de salvar o governo ele recebeu muitos nãos

Caso não conseguissem apoio suficiente para derrubar o impeachment, era preciso fazer com que a oposição não chegasse aos 342 votos que confirmam o andamento do processo.

Acabou a ‘era’ a vez o momento o famoso político do Brasil LULA. Ele recebeu dezenas de nãos ao tentar salvar o governo Dilma. No meio político ele é visto como ‘sujo’, culpado, chefão, mafioso, enganador e o grande chefe mor que sabia de tudo. Eram 19h30 desta quinta-feira (14) quando um ministro do Palácio do Planalto informou que a tentativa de marcar uma conversa entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o bispo Edir Macedo havia falhado.

“Nem o Lula está conseguindo. Não tem mais jeito”, sentenciou o auxiliar da presidente Dilma Rousseff, cristalizando o sentimento do governo de que, naquele momento, não era mais possível reverter o quadro na batalha contra o impeachment.

A poucas horas do início da discussão do processo no plenário da Câmara, ministros do núcleo mais próximo da presidente telefonavam para os aliados de Lula.

O mito fracassou, LULA hoje é ignorado e recebe não por onde passa, já não transfere credibilidade e é o responsável pela crise do Brasil.

Faziam e refaziam as contas: a tabela mais otimista mostrava 176 dos 172 votos necessários para barrar o afastamento. Lula sabia: a margem era apertada demais.

Cansado e bastante apreensivo, o ex-presidente tentava passar confiança aos aliados e afirmava que era hora de centrar esforços nos deputados indecisos e em abstenções e possíveis ausências.

O recado, claro: caso não conseguissem apoio suficiente para derrubar o impeachment, era preciso fazer com que a oposição não chegasse aos 342 votos que confirmam o andamento do processo.

Mas Lula estava exausto. Quando desembarcou em Brasília, na terça (12), viu o cenário piorar rapidamente, com a debandada de importantes partidos da base aliada, como PP e PSD.

Após almoçar com os ministros Jaques Wagner (Gabinete Pessoal da Presidência) e Ricardo Berzoini (Secretaria de Governo) para fechar a nova estratégia, Lula tentou marcar uma conversa com Aguinaldo Ribeiro (PB), líder do PP na Câmara.

Queria convencê-lo a mudar de ideia. O deputado, porém, refutou o convite do petista, e aliados se espantaram com “um raro ‘não’ a Lula”.

O ex-presidente resolveu então reeditar seu discurso. De “O que você precisa para ficar com a gente?” passou a falar do vice-presidente Michel Temer (PMDB), que ganhava prestígio entre deputados antes pró-Dilma às vésperas do início do debate no plenário da Câmara.

“Confie na minha palavra. Eu vou mudar o governo. Com o Temer, você não sabe no que pode acreditar.”

CRIADOR E CRIATURA

Entre os mais íntimos, Lula, abatido e quase sem voz, oscilava o humor entre o de articulador político, repetindo que era preciso “lutar até o último minuto”, e o de criador com raiva da criatura: “Como ela [Dilma] deixou que a gente chegasse a esse ponto?”.

Do quarto do hotel em que montou uma espécie de QG anti-impeachment, em Brasília, Lula passava o dia em reuniões com deputados, governadores, ministros e presidentes de partidos e orquestrava o que acreditava ser a última tentativa de reação para salvar o mandato da sucessora na Presidência.

Na quarta-feira (13), pediu que o deputado Vicente Cândido (PT-SP) fosse ao Planalto avisar Wagner e o assessor especial da Presidência, Giles Azevedo, que o governo precisava ser “mais prático” e entregar os cargos prometidos aos aliados.

Em seguida, por volta das 19h45, o mesmo emissário foi ao gabinete do deputado Julio Delgado (PSB-MG) e tentou acordo para que parlamentares do PSB votassem com Dilma ou, pelo menos, se abstivessem na sessão.

Lula ganhou fôlego no fim da tarde da sexta (15) quando, após se reunir com representantes de partidos, afirmou ter “virado” votos do PP e do PHS e visto sua tese de abstenção ganhar adeptos no PSB e PSD, partidos que já haviam indicado voto pró-impeachment.

Parlamentares dessas siglas tentavam aumentar as abstenções na sessão do domingo (17) e impedir que o processo de afastamento de Dilma seguisse para o Senado.

Com o chamado “nem Dilma nem Cunha”, justificavam que um governo dos peemedebistas seria pior do que a petista no comando do país.

O ex-presidente adiou então seu retorno a São Bernardo do Campo (SP), marcado para a tarde de sexta, para participar de um ato contra o impeachment no sábado, na capital. “Eu disse que vou brigar até o último minuto de domingo. Vai dar.”

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