10/05/2016

16:15

Por: Alberto Silva

O “cancelamento” do impeachment de Dilma foi fechado com Maranhão no domingo, dinheiro estava garantido

O deputado não debateu o ato em que anulou a sessão com o corpo técnico da Câmara nem com seus advogados.

A presidente Dilma Rousseff recebeu na noite de domingo (8) a informação de que havia uma tendência de que o presidente da Câmara, Waldir Maranhão (PP-MA), anulasse a sessão em que 367 deputados aprovaram seu pedido de impeachment.

O portador do recado foi o advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, que havia se reunido pouco antes com Maranhão e o governador Flávio Dino (PCdoB-MA).

O próprio governador, que é juiz federal, admitiu ter aconselhado o conterrâneo. Cardozo também reconheceu o encontro, mas negou que Maranhão tenha antecipado o conteúdo de sua decisão já no domingo. Aliados, no entanto, desmentem essa versão.

O próprio governador, que é juiz federal, admitiu ter aconselhado o conterrâneo. Cardozo também reconheceu o encontro, mas negou que Maranhão tenha antecipado o conteúdo de sua decisão já no domingo. Aliados, no entanto, desmentem essa versão.

O deputado não debateu o ato em que anulou a sessão com o corpo técnico da Câmara nem com seus advogados.

Maranhão teve um primeiro encontro com Cardozo na sexta (7). Nesta conversa, o ministro da AGU sugeriu que o presidente interino da Câmara despachasse o recurso dele, que estava parado na Câmara. A peça pedia a suspensão da sessão que aprovou o impeachment na Câmara.

Maranhão teria indicado já ali que estava disposto a tomar uma decisão sobre o tema. No fim de semana, o pepista reuniu-se com Dino.

O governador deu, segundo interlocutores de Maranhão, as bases jurídicas para que ele acatasse o recurso. No domingo, os dois viajaram de São Luís para Brasília, juntos.

Quando chegaram à capital federal, Cardozo se juntou ao grupo. Ele entregou a Maranhão um roteiro dos seus questionamentos. Nesta segunda, a decisão do presidente da Câmara trazia exatamente os argumentos apresentados por Cardozo.

Questionado pela Folha, o governador negou ter redigido a peça apresentada por Maranhão. “Não escrevi nada. Isso é absurdo”, disse. À colunista Mônica Bergamo, por sua vez, admitiu ter tratado da ação que questiona o impeachment com Maranhão e negou qualquer irregularidade.

CUNHA

Aliados do governo sugeriram que a decisão de Maranhão poderia ter sido influenciada também por outros “padrinhos”, como o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), cujo afastamento da presidência da Câmara e do mandato foi decretado semana passada pelo STF.

Cunha e Maranhão eram aliados, mas se distanciaram às vésperas da votação do impeachment, quando Maranhão decidiu mudar seu voto de a favor para contra o afastamento de Dilma. Maranhão esteve com Cunha na última sexta-feira (7), um dia depois de ser alçado à presidência da Casa graças aoafastamento do peemedebista.

A aliados, Cunha disse que a teoria de que ele pudesse ter sugerido a Maranhão a anulação do impeachment para tumultuar o ambiente político é “absurda”.

E insinuou que seu afastamento do cargo foi um capítulo no enredo que tenta proteger Dilma do impeachment. “O golpe é esse aí”, acusou Cunha.

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