12/04/2016

13:51

Por: Alberto Silva

Mais um na gaiola, Ex-senador é preso por extorquir dinheiro de investigados em CPIs da Petrobras

Vai mais safadão, Gim Argello cobrou R$ 5 milhões da UTC e R$ 350 mil da OAS em propina, disfarçadas em doações a partidos aliados e a uma paróquia

Mais um ladrão na cadeia. O ex-senador Gim Argello foi preso nesta terça-feira (12) pela Polícia Federal, em Brasília, na 28ª fase da Operação Lava Jato, batizada Vitória de Pirro. De acordo com as investigações, Argello foi detido porque cobrou pelo menos R$ 5 milhões da construtora UTC e R$ 350 mil da OAS para que executivos das empreiteiras não fossem convocados a depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista da Petrobras na Câmara dos Deputados e no Senado e na CPI da Petrobras no Senado.Argello foi alvo de um mandado de prisão preventiva, expedido pelo juiz Sérgio Moro. Também foram presos, por mandados de prisão temporária, Valério Neves Campos, assessor do ex-senador, e Paulo César Roxo Ramos, operador do esquema. Foram ainda cumpridos cinco mandados de condução coercitiva contra Jorge Argello Júnior, filho do ex-senador, e quatro executivos da OAS.

De acordo com as investigações, Argello extorquiu dinheiro deRicardo Pessoa, dono da UTC, com pedidos de doações oficiais a partidos da coligação “União e Força”, pela qual concorreu à reeleição ao Senado em 2014. Entre julho e outubro de 2014, as doações da UTC aos aliados de Argello foram distribuídas da seguinte forma: R$ 1,7 milhão para o DEM, R$ 1 milhão para o PR, R$ 1,15 milhão para o PMN e R$ 1,15 milhão para o PRTB. Os pagamentos foram detalhados em acordo de delação premiada de Pessoa e do ex-diretor-financeiro da UTC Walmir Santana.

Já a OAS foi achacada a transferir R$ 350 mil para a conta bancária de uma paróquia no Distrito Federal, de acordo com as investigações. O pagamento aparece em mensagem no celular de Léo Pinheiro, ex-presidente e sócio da OAS, de maio de 2014. Em mensagens telefônicas, Pinheiro chamava Argello de “alcoólico”, um trocadilho com a bebida gim.

Foram ainda cumpridos cinco mandados de condução coercitiva contra Jorge Argello Júnior, filho do ex-senador, e quatro executivos da OAS.

Os pagamentos podem ter aliviado a situação dos empreiteiros nas CPIs, mas Pessoa e Pinheiro foram presos em novembro daquele ano. Como diz a PF com o nome da operação, foram vitórias inúteis. Dois anos depois das prisões dos empresários, Argello vai passar uma temporada na carceragem da Polícia Federal em Curitiba.

Operação Vitória de Pirro

Deflagrada nesta terça-feira (12), a 28º fase da Lava Jato cumpre 21 mandados judiciais em Brasília, Rio de Janeiro, Taguatinga (DF) e São Paulo.

Além da prisão preventiva de Gim Argello, estão sendo cumpridos outros dois mandados de prisão temporária e cinco de condução coercitiva – quando o investigado é levado para depor e depois liberado – além de 14 ordens judiciais de busca e apreensão.

São investigados os crimes de associação criminosa, concussão, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. O nome dessa fase da Lava Jato faz referência a Pirro, que foi rei de uma região na antiga Grécia e apesar de ter derrotado os romanos em mais de uma batalha, sofreu danos tão irreparáveis que tais sucessos se mostraram inúteis.

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