10/11/2015

12:48

Por: Alberto Silva

Lula, o intocável, suspeito em investigações do Ministério Público e acusado em delações da Lava Jato, não está acima lei, ainda que ele e o PT ajam como se estivesse

.Diante das acusações que brotam em profusão nas delações premiadas da Lava Jato e em investigações do Ministério Público, há um crime maior, inigualável por qualquer outro, no Brasil de hoje – ao menos na visão do PT e de sua tropa de choque. É fazer qualquer tipo de acusação contra Lula e sua família.

Embora tal crime não esteja previsto no Código Penal do país, quem levantar suspeitas contra os Da Silva irá enfrentar toda a truculência que os petistas costumam expressar quando seus interesses são contrariados. Provavelmente, será execrado em praça pública, como os hereges queimados vivos pela Inquisição entre os séculos XV e XIX.

Por mais fundamentadas que sejam as investigações e as acusações contra o ex-presidente e seus familiares, o PT e suas milícias não economizam munição para disparar contra seus detratores. Como Hitler na II Guerra Mundial, eles costumam promover uma verdadeira blitzkreig – a tática usada pelo III Reich para atacar as forças inimigas antes que elas tivessem condições de organizar a defesa.

Ao mesmo tempo, numa bem traçada estratégia de contrainformação, o PT e seus militantes procuram travestir Lula de vítima, talvez imaginando que, desta forma, poderão gerar dúvidas sobre a força das evidências na mente dos brasileiros. Um número cada vez menor de pessoas, porém, parece acreditar nas mentiras de Lula e do partido.

É certo que o caso de Lula não é isolado. O PT nunca reconheceu qualquer malfeito praticado pelo partido e por seus líderes. Ao contrário. Prefere transformá-los em mártires, como fez com Delúbio Soares, José Dirceu e José Genoíno. Embora condenados no mensalão, eles foram aplaudidos de pé como heróis da causa em eventos partidários. Ou como fez com João Vaccari Neto, o sucessor de Delúbio na tesouraria petista. Apesar de condenado a 15 anos e quatro meses de prisão, por operar, em nome do PT, o propinoduto bilionário instalado na Petrobras, Vaccari continua a merecer a solidariedade incondicional do partido e de seus dirigentes. Mesmo assim, nada se assemelha às demonstrações de devoção e à blitz implacável deflagradas pelo PT para tentar blindar Lula das acusações que lhe são feitas por irregularidades cometidas quando estava no governo.

A mais recente vítima de Lula e de seus guarda-costas partidários foi a juíza Célia Regina Ody Bernardes, da 10ª Vara Federal de Brasília, que autorizou uma busca no escritório do filho caçula do ex-presidente, Luiz Cláudio Lula da Silva, como parte das investigações que apuram a venda de Medidas Provisórias no segundo mandato de Lula.  No início de novembro, a juíza, que estava no posto como substituta, foi subitamente removida de suas funções, logo depois de autorizar a busca, com a volta do juiz titular da 10º Vara, Vallisney Souza de Oliveira, que estava atuando provisoriamente no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Uma reação semelhante aconteceu com o procurador da República no Distrito Federal, Valtan Timbó, que assinou a abertura de uma investigação contra o ex-presidente, por tráfico de influência internacional em favor da Odebrecht. Em julho, Timbó virou alvo de uma reclamação disciplinar de Lula ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNPM), sob a alegação de que ele teria interferido numa apuração conduzida pela procuradora Mirella Aguiar, que estava de férias. Neste caso, numa demonstração de rara independência, a Corregedoria do Conselho Nacional do Ministério Público arquivou a representação feita por Lula.

Nem mesmo integrantes do primeiro escalão do governo  tem escapado da ira petista por abrir espaço para investigações contra o grande guru do PT. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, petista de carteirinha, que o diga. Acusado de não controlar a Polícia Federal, por permitir que ela cumpra suas funções constitucionais e realize diligiências contra Lula e sua família, Cardozo está com a cabeça a prêmio, mas surpreendentemente, até agora, Dilma o manteve no cargo.

Em sua fúria para se defender, Lula chegou a dizer que “estamos vivendo quase um Estado de exceção”, ao se referir às delações premiadas feitas no âmbito da Lava Jato. Na verdade, o termo usado por Lula talvez se aplique melhor a uma situação em que um ex-presidente como ele se julga intocável, com o apoio dos companheiros do PT. Estado de exceção é ver Lula se aproveitar de seu bom relacionamento no círculo do poder, para tentar livrar a sua cara e a de seus familiares nos processos que não param de pipocar contra ele e sua parentela. Infelizmente, enquanto o Brasil estiver sujeito a manobras do gênero, em que um ex-presidente se julga acima da lei, continuaremos a ser uma espécie de republiqueta de banana igual a tantas outras espalhadas pelo mundo afora, na qual o império da lei só vale para quem não tem as costas quentes.

Via Epoca e Agências.

(Foto: (Cláudio Reis/Ag.O Globo))

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