20/09/2016

08:33

Por: Alberto Silva

Lula ‘escancarou’ a Petrobras ao PMDB para escapar do mensalão

Ex-senador Delcídio do Amaral afirma que Lula colocou estatal brasileira à disposição do PMDB para escapar de impeachment no mensalão

Em depoimento prestado aos investigadores da Lava Jato, o ex-senador petista Delcídio do Amaral (PT-MS) declarou que o ex-presidente #Lula foi o principal responsável por “abrir” as portas da #Petrobras ao partido do atual presidente da República, Michel Temer, o PMDB. A declaração do parlamentar cassado foi feita em delação premiada aos investigadores de Curitiba e gravada em vídeo para que seja anexada ao processo que denuncia tanto o petista quanto Paulo Okamoto, presidente do Instituto Lula e mais seis envolvidos pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.

Com as denúncias oferecidas no último dia 16, pela Procuradoria Geral da República (PGR) contra Lula, sua mulher Marísa Letícia e mais seis envolvidos, as declarações feitas por Delcídio do Amaral deverão esclarecer mais ainda qual seria a real influência do antecessor de Dilma na relação entre as estatais brasileiras e a classe política brasileira. A declaração do ex-senador mostra, de antemão, que Lula “escancarou” a Petrobras ao PMDB para escapar do #Mensalão.

A “abertura” que Lula deu ao PMDB se deu em um momento grave para o petista. De um lado, ceder ao partido que ainda não participava do governo naquela época seria necessário para livrar o próprio filho, Fábio Luís, sócio da Gamecorp, uma empresa de jogos que era acusada de manter negócios considerados suspeito com a antiga Telemar, atual Oi. Além disto, o ex-presidente precisava manter a governabilidade em virtude de um possível enfraquecimento por causa da CPI dos Correios. A aliança com o partido considerado oposição seria estratégico para enfraquecer um possível impeachment ainda no seu mandato.

A entrada do PMDB serviu para deflagrar de vez a política adotada por todos os governos petistas de indicarem seus aliados para cargos estratégicos dentro das principais estatais brasileiras.

O mais interessante é que uma possível aliança com o PMDB já teria sido tentada com a ajuda de José Dirceu, na época em que o mesmo ocupava a Casa Civil. Certo do apoio dos partidos que o elegeram, Lula, num primeiro momento, rejeitou tal possibilidade. Delcídio declarou que, durante a CPI dos Correios, ele era o presidente de tal comissão e, portanto, todos os relatórios apontavam para o indiciamento do ex-presidente. Foi do próprio petista, a afirmação de que ele ou se abraçava com a legenda peemedebista ou estaria “morto”, no sentido político.

A entrada do PMDB serviu para deflagrar de vez a política adotada por todos os governos petistas de indicarem seus aliados para cargos estratégicos dentro das principais estatais brasileiras. Além disto, as escolhas para tais cargos serviram de moeda de troca do governo para com os partidos que foram fazendo parte de sua base aliada. Se antes do acordo petista, a predominância dentro das empresas controladas pelo Palácio do Planalto era do DEM, depois da adesão peemedebista, a prevalência passou para a sigla do ex-vice de Dilma Rousseff.

Além de apontarem seus indicados, tanto o PMDB quanto outros aliados passaram a ter nestas estatais uma fonte de arrecadação mais eficiente para o governo. O próprio Lula, enquanto presidente, sofria pressão dos aliados para que as arrecadações fossem mais eficientes. Apesar de negar tal conhecimento sobre estes fatos, Delcídio desmentiu o petista ao afirmar que, por diversas, o antecessor de Dilma foi visto em reuniões com Paulo Roberto Costa, indicado pelo Partido Progressista (PP) para o cargo de diretor da Petrobras a fim de discutir campanhas que melhorassem a arrecadação do órgão como o pré-sal e a instalação de refinarias pelo país.

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