14/03/2016

13:53

Por: Alberto Silva

Lula diz que ato pro-Dilma vai levar o dobro de pessoas a rua para mostrar resistência ao impeachment

Senhor Luiz Inácio Lula da Silva ou não assistiu as manifestações de ontem ou bebeu outra vez !

O Planalto reconhece que a adesão aos protestos pró-impeachment foi expressiva, mas aposta no ato do dia 18, com a presença de Lula, para mostrar resistência. O governo admite, no entanto, que dificilmente conseguirá número similar nas manifestações pró-Dilma. Com o veto deste domingo, petistas se apegam às vaias aos tucanos como sinal de que o espólio das ruas não foi conquistado pela oposição. Parece pouco para quem terá de enfrentar duríssima votação do impeachment.

Na avaliação do PT, a hostilização ao governador Geraldo Alckmin e ao senador Aécio Neves na Paulista mostra que a situação política no país é ainda mais preocupante, com uma “raiva” generalizada em relação a todos os partidos.

“A história já mostrou diversas vezes que quando há a negação da política, a sociedade corre sério risco de cair em regimes ditatoriais. Não sabemos para onde vamos”, diz um dirigente petista.

Embora não deixe de reconhecer a repulsa ao PT, ao ex-presidente Lula e ao governo Dilma Rousseff, parte do PT viu nos atos deste domingo espaço para que a presidente passe a dar mais atenção às pautas da esquerda e dos movimentos sociais.

Auxiliares de Alckmin haviam planejado um roteiro menor para o governador na avenida Paulista. No script original, o tucano desceria do carro em uma rua paralela menos movimentada, andaria poucos metros, posaria para fotos e retornaria ao Bandeirantes.

Uma das conselheiras do Cade participou da manifestação pró-impeachment no Rio. Indicada pelo ex-ministro Joaquim Levy, Cristiane Alkmin Junqueira Schmidt tomou posse em junho do ano passado.

Na terça-feira (15), os coordenadores estaduais do MBL (Movimento Brasil Livre) vão ao Congresso para pressionar os parlamentares a acelerar o processo de impeachment.

As redes sociais refletiram as manifestações deste domingo. Estudo feito pela Máquina Cohn & Wolfe em parceria com o Scup indica que, em uma amostragem de 30 mil posts no Twitter e no Instagram, a hashtag #VemPraRua ganhou da #MarchaDasCoxinhas.

Aliados de Lula que ainda defendem que o petista assuma um ministério para adquirir foro privilegiado disseram ao ex-presidente concordar com o fato de que ele viraria herói se fosse preso — mas o título não se estenderia para sua família.

Caso o petista entre para o governo, advogados próximos avaliam as chances de Lula puxar consigo para o Supremo as investigações sobre seus parentes.

Há um ano, quando a popularidade de Dilma despencou, petistas foram a Lula pedir que ele assumisse um ministério. “Não vai dar. Duas pessoas não ocupam a mesma cabeceira”, respondeu o ex-presidente.

Em reunião recente com o PT, o ministro Nelson Barbosa (Fazenda) assim reagiu às críticas dos aliados contra a reforma da Previdência: “Como ser contra algo que não sei o que é nem como vai ficar?”

Compartilhe:

Comentários

* O Pensa Brasil não se responsabiliza pelo conteúdo dos comentários e se reserva o direito de eliminar, sem aviso prévio ao usuário, aqueles em desacordo com as normas do site ou com as leis brasileiras.

Mais Lidas

104