16/11/2015

10:54

Por: Alberto Silva

Homem é espancado até a morte em Ipanema

Cerca de dez pessoas espancaram até a morte um vendedor de gelo em Ipanema, no início da manhã deste domingo. Fabiano Machado da Silva, de 33 anos, foi linchado na esquina das ruas Gomes Carneiro e Prudente de Morais, a poucos metros da Praça General Osório. Um vídeo exibido pelo “Fantástico”, da Rede Globo, mostra Fabiano discutindo com duas mulheres que haviam saído de um luau na Praia do Arpoador. Em seguida, o ambulante pega uma barra de ferro e briga com uma delas. Fabiano, no entanto, acaba sendo desarmado e um grupo o cerca, dando início ao linchamento.


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Segundo agentes da Divisão de Homicídios (DH) da Polícia Civil, que investiga o caso, o assassinato ocorreu por volta das 7h, mas o motivo do crime ainda não foi totalmente esclarecido. De acordo com testemunhas, Fabiano assediou as duas mulheres, que tinham participado de um luau em frente ao Parque Garota de Ipanema. O evento reuniu aproximadamente 300 pessoas.

BARRA DE FERRO JUNTO AO CORPO

Após ter a barra de ferro tomada de suas mãos, Fabiano foi encurralado ao lado de um caminhão, estacionado quase em frente a um supermercado. Ali, foi agredido com socos e chutes até perder os sentidos. Manchada de sangue, a barra de ferro foi deixada junto ao corpo.

Pessoas que passavam pelo local, que até então não tinham qualquer ligação com o caso, também participaram das agressões, chutando ou desferindo socos — disse um investigador da DH.

Uma equipe da unidade especializada da Polícia Civil recolheu imagens de câmeras de segurança do supermercado e de prédios residenciais que ficam perto do local do linchamento. Algumas testemunhas do crime já prestaram depoimentos. Agentes ainda não conseguiram identificar os envolvidos no crime.

O ambulante José Amaro dos Santos Neto disse que Fabiano vendia gelo para barraqueiros da orla desde 2012:

— Ele era trabalhador. Tinha um filho de 5 anos e sempre aparecia para vender gelo em dias de sol.

Também vendedor de gelo, Erenaldo Pereira disse que a vítima morava em São João de Meriti. Ele contou que viu o corpo do colega pouco depois das 7h, quando chegou a Ipanema para trabalhar. Vários caminhões ficam estacionados no entorno da Praça General Osório para abastecer ambulantes que trabalham na praia.

— Fabiano era tranquilo, não era de briga — disse Erenaldo.

ASSOCIAÇÕES FAZEM QUEIXAS

Coordenadora do Projeto de Segurança de Ipanema, Ignez Barreto criticou a ausência de policiais no local do crime:

— Estou chocada. Não sei quais são as circunstâncias de tamanha brutalidade, mas explicação alguma vai justificar o linchamento de uma pessoa. E estranho o fato de nenhum policial ter impedido a barbárie, já que Ipanema conta com a Operação Verão, implantada recentemente pela Secretaria de Segurança.

Presidente da Associação de Moradores de Ipanema, Maria Amélia Fernandes Loureiro disse que o poder público precisa controlar com maior rigidez os eventos realizados na praia, que, segundo ela, são frequentes nos fins de semana e costumam terminar em brigas:

Não faltam reclamações por parte de moradores. São festas organizadas pela internet, que atraem muitas pessoas, de todos os lugares do Rio.

EVENTO SEM AUTORIZAÇÃO

Anunciado em redes sociais, o luau realizado na Praia do Arpoador não tinha autorização da prefeitura nem do comando do 23º BPM (Leblon). Por meio de uma nota, a subprefeitura da Zona Sul afirmou que não tinha conhecimento da festa, que começou no fim da noite de sábado. “Portanto, não autorizou qualquer evento desse tipo na orla”, diz um trecho do comunicado.

A Polícia Civil quer ouvir os organizadores do luau para tentar identificar suspeitos de participação no linchamento de Fabiano.

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