02/06/2016

22:06

Por: Alberto Silva

Gestão Temer, o risco de Dilma volta e a chance do Brasil não crescer, entenda…

Mesmo aqueles que se mantêm pela saída de Dilma admitem dificuldades, dada a margem apertada no Senado.

As turbulências do governo interino de Michel Temer (PMDB) enfraqueceram o apoio de senadores ao impeachment da presidente afastada, Dilma Rousseff.

No atual cenário, considerado imprevisível pelos congressistas, cresce a expectativa por novas eleições, e um eventual aceno de Dilma pela convocação de novo pleito ajudaria indecisos a optarem por garantir o seu mandato.

“A volta dela assusta todo mundo, pela inconsequência, pela irresponsabilidade”, observou Cristovam Buarque (PPS-DF), que aprovou a abertura do processo e ainda não declarou posição final.

Acir Gurgacz (PDT-RO), que votou a favor e agora admite reavaliar a posição, disse que a crise no governo Temer "influenciará não só a minha opinião, como a da maioria". Se mantido o ritmo de tropeços do interino, o placar da admissibilidade pode "quase se inverter", afirmou.

“E se ela propuser eleição direta, o que já devia ter feito uma ano atrás? E se ela acenar para a oposição? O jogo não está decidido, não.”

Veja a tendência de votação sobre a cassação de Dilma

Acir Gurgacz (PDT-RO), que votou a favor e agora admite reavaliar a posição, disse que a crise no governo Temer “influenciará não só a minha opinião, como a da maioria”. Se mantido o ritmo de tropeços do interino, o placar da admissibilidade pode “quase se inverter”, afirmou.

Em 21 dias, dois ministros caíram, houve uma avalanche de críticas pela falta de diversidade no alto escalão, além de desmentidos que Temer foi forçado a fazer.

Mesmo aqueles que se mantêm pela saída de Dilma admitem dificuldades, dada a margem apertada no Senado.

O processo de impeachment foi aberto com 55 votos favoráveis, 22 contrários, três ausências e uma abstenção. Para que seja aprovada a cassação de Dilma, serão necessários 54 votos.

O senador Alvaro Dias (PV-PR), que mantém o voto a favor da saída de Dilma, reconhece que “as turbulências [no governo Temer] vão provocando temeridade”.

“Estamos em cima do fio da navalha”, afirmou Lasier Martins (PDT-RS). “A inclinação é mínima de um lado ao outro, vai se decidir com uma diferença de dois votos.”

Martins defende a cassação da chapa de Dilma e Temer para a convocação de nova eleição. “Agora, quando vejo o ministro Gilmar Mendes [presidente do Tribunal Superior Eleitoral] visitar Temer no sábado (28) à noite, eu fico desconfiado. Que confiança a gente vai ter de que haja andamento de um processo criminal eleitoral?”

NOVAS ELEIÇÕES

Nesta quarta-feira (1º), começou a tramitar no Senado nova PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que prevê a realização de plebiscito durante as eleições municipais sobre um novo pleito para presidente e vice. O autor, Walter Pinheiro (sem partido-BA), diz ter apoio de 32 senadores.

Pelo texto, o TSE convocaria novas eleições em 30 dias se essa proposta obtiver a maioria absoluta no plebiscito. O mandato dos eleitos acabaria em 2018.

O petista Paulo Paim apoia uma nova eleição, como forma de se fazer “um grande pacto”. O senador observou que “é inegável que o clima é de intranquilidade” quanto à permanência de Temer.

Presidente do PSB, Carlos Siqueira relativizou o impacto dos tropeços de Temer.

“Vivemos em clima de areia movediça, ninguém pode ter segurança absoluta. Queremos e torcemos para que Temer possa ter a força necessária.”

ROMÁRIO

Também nesta quarta, o senador Romário (PSB-RJ), que votou pela admissibilidade do processo de impeachment, renunciou à vaga de titular na comissão especial que analisa o caso e criticou o início da gestão Temer. Ele alegou ter outras funções a cumprir na Casa e disse não ter posição definida sobre o julgamento final de Dilma. Romário será substituído por Lúcia Vânia (PSB-GO).

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