13/06/2016

13:25

Por: Alberto Silva

Gays de direita se multiplicam nas redes sociais e fortalecem a campanha presidencial de Jair Bolsonaro

A rejeição a Jean Wyllys como representante por parte destas pessoas se estende também ao movimento LGBT como um todo. A militância é descrita por eles como “intolerante” e “promíscua”. Quem não quer participar do grupo é segregado, dizem.

 “Somos gays mas somos pessoas de bem. Queremos Bolsonaro pra botar moral”.

“Precisamos de Bolsonaro pra botar moral nesta bagunça. Quer dar o c*, dê. Mas não precisa ofender a família nem a Igreja. Quer ser lésbica, seja. Mas não precisa cagar na foto de um político honrado e honesto como Bolsonaro. Por isso que o movimento LGBT não representa os gays de bem. Só representa os degenerados esquerdopatas que nos envergonham”. Esta frase foi dita no vídeo da filósofa Paula Nogueira Ramos, 26 anos, homossexual desde os 12 anos e militante do grupo Lésbicas de Direita.

O grupo que mais tem crescido na internet atualmente é o de homossexuais que, contrariando o senso comum, se identificam mais com Bolsonaro (PSC-RJ) do que com o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ), o único político declaradamente gay no Congresso Nacional.

“Defendo a castração química em caso de estupro e o porte de armas. Pena de morte… por que não? Por que uma pessoa não pode fazer um crime brutal e pagar com a própria vida? Temos leis muito brandas nesse país”, diz Junior.

Uma busca no Facebook revela dezenas de páginas com os termos “gay de direita” ou “gays por Bolsonaro”, onde conteúdos semelhantes ao de Gays são veiculados.

Seus administradores dizem que boa parte delas foi criada após as eleições de 2014, em meio à polarização política vivida no país e em contraposição ao que consideram uma predominância de “pensamentos de esquerda” no movimento LGBT.

Estimulado por uma eleição, esse grupo anseia por outra, a corrida presidencial de 2018. Muitos defendem Bolsonaro como um forte candidato a ela.

“Apoiaria Bolsonaro para 2016 se fosse possível. É preciso fazer uma reviravolta nesse país. Não acho que se escolhe um presidente porque se gosta ou não da sexualidade alheia, mas porque ele é bom ou não”, diz Junior Oliveira, de 31 anos, membro de uma destas comunidades no Facebook.

Os motivos que o levam a exaltar o deputado se repetem nas falas de outros de seus apoiadores na comunidade gay. As opiniões de Bolsonaro sobre o porte de armas e a pena de morte estão entre algumas das razões mais citadas.

“Defendo a castração química em caso de estupro e o porte de armas. Pena de morte… por que não? Por que uma pessoa não pode fazer um crime brutal e pagar com a própria vida? Temos leis muito brandas nesse país”, diz Junior.

Declarações polêmicas

As declarações polêmicas do deputado sobre homossexuais não parecem afetar esta admiração. Em entrevistas de 2014, Bolsonaro chegou a dizer que os gays eram “fruto do consumo de drogas” e que “ter filho gay é falta de porrada”.

Mas, para quem participa destas comunidades na internet, esse assunto é coisa do passado. Eles dizem que Bolsonaro teria revisto suas posições.

“Ele já se retratou. Pensava que gays eram todos do mesmo tipo, mas viu que há gays casados, que pagam impostos e têm um relacionamento sem afrontar a sociedade”, diz o artista plástico Leonardo Estellita, de 32 anos, coordenador do Movimento Brasil Livre na Região dos Lagos, no norte do Estado do Rio.

“Não vejo como contradição apoiá-lo. O Bolsonaro prega o respeito à diferença. Mas ele ainda precisa ser lapidado, como aconteceu com o Lula ao longo de quatro eleições.”

“É inaceitável que as pessoas se orgulhem de um homossexual vestindo uma camisa de Che Guevara. Como a gente pode elogiar um cara que detestava homossexuais? Partidos de esquerda apoiam a Rússia e a Coreia do Norte, que perseguem homossexuais. É um discurso contraditório”, diz Estellita.

Uma das mulheres mais proeminentes desse grupo majoritariamente masculino é Karol Eller, de 29 anos, que também diz repudiar as atitudes de Wyllys.

“Ele não representa a classe e nunca me representou. Uma das ações mais feias foi quando cuspiu num parlamentar. Quer chamar a atenção dos homossexuais.”

Militância

A rejeição a Jean Wyllys como representante por parte destas pessoas se estende também ao movimento LGBT como um todo. A militância é descrita por eles como “intolerante” e “promíscua”. Quem não quer participar do grupo é segregado, dizem.

Lucas Lopes, criador da comunidade Gay de Direita, Gay Direito, que tem 2.000 membros no Facebook, menciona a “falta de foco” dos ativistas.

“Lutas LGBTs talvez algum dia serviram para alguma coisa, mas hoje não tem necessidade disso. Uma parada gay hoje só tem promiscuidade, são pessoas se beijando no meio da rua, fazendo sexo.”

(Via Agencia)

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