22/06/2016

07:43

Por: Alberto Silva

Faculdade da zona leste de SP dá diploma fraudado para alunos

Esse ex-diretor registrou, inclusive, um boletim de ocorrência em fevereiro por não reconhecer a assinatura "Silvio Santos" como sendo a dele

Uma faculdade particular da zona leste de São Paulo forneceu diplomas falsificados para seus próprios alunos.

A fraude foi descoberta no início do mês por um grupo de ex-alunos da Faculdade Santa Izildinha, de São Mateus, ligada ao grupo Uniesp. Eles já identificaram cerca de 50 documentos inválidos.

Pela regulação do ensino superior, os diplomas de faculdades precisam ser registrados e validados em alguma universidade (instituição com maior autonomia). Para isso, a Santa Izildinha pagaria para a USP R$ 90 pela chancela de cada diploma –que deve receber um carimbo e assinatura no verso.

A Faculdade Santa Izildinha foi comprada pelo grupo Uniesp em 2011. A faculdade e os cursos oferecidos são credenciados regularmente no Ministério da Educação. Segundo a pasta, "caso seja constatado que a fraude é perpetrada pela própria instituição de ensino, caberá a aplicação das penalidades

Estudantes que se formaram descobriram, no entanto, que os números de registro de seus documentos não constavam dos arquivos da Universidade de São Paulo. Além disso, a assinatura de um suposto diretor da instituição também foi forjada. O nome de Silvio Donizete Santos, que aparece nos documentos, se refere a um funcionário que já se desligou da faculdade, em 2013.

Esse ex-diretor registrou, inclusive, um boletim de ocorrência em fevereiro por não reconhecer a assinatura “Silvio Santos” como sendo a dele. Procurado pela Folha, ele não quis se manifestar. A faculdade diz que instaurou uma sindicância interna e que está colaborando com as autoridades na investigação.

Alunos de pelo menos quatro dos sete cursos da faculdade foram vítimas dos diplomas inválidos. “Encontramos diplomas de alunos formados em anos e cursos diferentes, e com um mesmo registro”, diz Liliane Rodrigues, 26, formada em letras em 2014. Rodrigues teme não resolver a situação com rapidez e não poder assumir um cargo na prefeitura, para o qual já foi aprovada em concurso.

A ex-aluna Leila Michele de Oliveira, 37, é outra da turma que descobriu a fraude. “De mais de 50 alunos com quem falamos, só dois diplomas estavam regulares”, afirma. Oliveira ainda reclama que a faculdade não oferece explicações sólidas.

A Faculdade Santa Izildinha foi comprada pelo grupo Uniesp em 2011. A faculdade e os cursos oferecidos são credenciados regularmente no Ministério da Educação. Segundo a pasta, “caso seja constatado que a fraude é perpetrada pela própria instituição de ensino, caberá a aplicação das penalidades”.

A USP diz que pode suspender o cadastro da faculdade e o registro de seus diplomas. A Uniesp tem histórico de irregularidades no Fies (financiamento estudantil). Ela já foi punida pelo MEC e teve de assinar um termo de ajustamento de conduta com o Ministério Público Federal.

Entre os problemas, registrava no Fies alunos em cursos diferentes, e mais caros, do que eles de fato cursavam. Assim, garantia repasses maiores do governo.

REGULARIZAÇÃO

O grupo Uniesp, que controla a Faculdade Santa Izildinha, reconhece as irregularidades nos diplomas, mas não soube indicar quantos tiveram registro forjado.

Em nota, ele diz que “auditará todos os diplomas já emitidos” e lamentou pelo ocorrido. O grupo Uniesp afirma que uma sindicância interna foi instaurada e que a empresa está colaborando com as autoridades.

“[O grupo] já se reuniu com o departamento de diplomas da USP (…) e reforça que serão tomadas todas as providências para regularização dos diplomas”, afirma. Em nota publicada no site da faculdade, a Uniesp chegou a culpar uma ex-funcionária, que teria sido demitida.

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