02/12/2015

12:35

Por: Alberto Silva

Em São Paulo Policia e Alunos entram em confronto direto, o clima esquenta e o pau está quebrando

Policiais militares e parte dos estudantes que protestam contra reorganização do ensino entraram em confronto na manhã desta terça-feira (2) durante um protesto na avenida Doutor Arnaldo, na zona oeste de São Paulo. Ao menos dois manifestantes foram detidos pela polícia e encaminhados para a delegacia.

Cerca de 40 estudantes colocaram cadeiras para interditar as quatro faixas da Doutor Arnaldo, sentido Sumaré, em frente ao Cemitério do Araçá. Ao menos cinco carros da Polícia Militar acompanham a manifestação, que começou por volta das 7h40.

A polícia diz que tentou conversar com os jovens para que eles liberassem a via. Por volta das 8h30, houve um princípio de tumulto entre alguns estudantes e a polícia, que começou a retirar a força as cadeiras e a ameaçar alguns alunos com cassetete.

Após a confusão, parte das faixas foram liberadas novamente para o tráfego. Às 9h10, A CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) informou que apenas a faixa da direita da Doutor Arnaldo continuava bloqueada, na altura da rua Cardoso de Almeida.

Com faixas e cartazes, os estudantes protestam contra a proposta da gestão Alckmin (PSDB) de dividir parte dos colégios por ciclos únicos de ensino (anos iniciais e finais do fundamental e o médio) a partir do ano que vem.

Nesta terça (1°), o governador Geraldo Alckmin (PSDB) deu mais um passo no processo de reorganização ao publicar decreto no qual formaliza a transferência de funcionários da Secretaria do Estado da Educação dando mais um passo no processo de reforma dos ciclos.

OUTRO PROTESTO

Em outro ponto da cidade, ao menos 20 estudantes colocaram também cadeiras e faixas para interditar a avenida Giovanni Gronchi, na altura da rua Charles Spencer Chaplin, no Morumbi. Segundo a PM, o ato começou por volta das 7h20 e terminou às 8h10 após diálogo com a polícia.

TENSÃO

Nesta terça (1°), houve conflito dentro da escola Maria José, no centro, após pais e professores tentarem a desocupação do colégio. A PM chegou a usar gás de pimenta na ação. À noite, um protesto na av. Nove de Julho, com alunos contrários à reorganização, terminou em confronto com PMs, que usaram bombas de gás para desbloquear a via. Alguns revidaram com pedras.

Mais cedo, em Osasco (Grande SP), a escola Coronel Antônio Paiva de Sampaio, que estava ocupada, foi depredada. Os autores não foram identificados. Os alunos negam que tenham sido eles e citam ação de desconhecidos. A Ouvidoria da PM pediu investigação sobre a conduta de policiais nos dois casos.

REORGANIZAÇÃO DOS CICLOS

A proposta de reorganização foi anunciada em setembro e deve ser aplicada no ano letivo de 2016. Desde o dia 9 de novembro, estudantes ocupam escolas em São Paulo em protesto contra a medida. Há 194 escolas ocupadas, segundo balanço desta terça divulgado pela Secretaria do Estado de Educação.

Na semana passada, o secretário Herman Voorwald (Educação) admitiu que pode ter havido “uma deficiência na questão da comunicação para entender o que é a reorganização”. “Entendo que, por conta de uma rede extremamente complexa, elas [as informações] não chegam da maneira que deveriam chegar, ou porque são contaminadas ou pela incompetência de nós nos comunicarmos com os pais.” “Mas não há a menor dúvida que o movimento [a reorganização] é importante. Por que nosso aluno não tem o direito de ter uma escola melhor?”

Voorwald também negou que a reestruturação tenha objetivo financeiro, ele disse: “A minha única preocupação é que esses jovens tenham uma melhor educação. Eu tenho vergonha, enquanto secretário do Estado da Educação, dos resultados que o Estado de São Paulo, que esse país apresenta, e que o Estado de São Paulo apresenta. Não é possível que a sociedade se conforme com isso”.

(Via folha e agências)

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