20/09/2016

11:24

Eleição sem disputa: a campanha para prefeito em cidades com candidato único

Em 97 municípios do Brasil, apenas um nome se apresentou nas urnas; quais são as consequências para a campanha e a população? Confira a seguir:

Por: Alberto Silva

Enquanto mais de 16 mil candidatos gastam a voz, sola de sapato e dinheiro em disputas pelo cargo de prefeito neste ano no Brasil, a situação é mais tranquila para postulantes em 97 cidades de 13 Estados, onde apenas uma pessoa concorre ao posto.

Em Miraselva, município de 1,8 mil habitantes no norte do Paraná, eleitores já se acostumaram ao marasmo nas eleições municipais. É o terceiro pleito consecutivo em que apenas um candidato tenta a prefeitura.

Quem concorre desta vez é Celso Antiveri (PSDB), que já comandou a cidade em duas oportunidades (2001-2004 e 2005-2008). O atual prefeito, João Carlos Ferrer (PTB), está no segundo mandato.

Como a eleição do tucano é praticamente garantida, o município irá completar, ao fim do próximo mandato, 20 anos sob o comando de dois prefeitos do mesmo grupo político. Muitos eleitores reclamam da falta de opções.

Carlos Luiz Martins dos Santos, 53 anos, trabalhador rural desempregado que vive de diárias desde que foi dispensado de uma usina de cana-de-açúcar, disse que gostaria de poder escolher. “Não é interessante ter apenas um candidato”, afirmou, em conversa com a BBC Brasil na praça da cidade.

“Somos eleitores sem opções”, afirmou a comerciante Edneia Zanelato, 34, que trabalha em um bazar ao lado da prefeitura, que funciona em uma casa modesta e carente de reformas.

Desistência

O vereador Pedro Tolovi (PMDB), 63, chegou a fazer articulações para disputar a prefeitura contra Antiveri – os dois já haviam se enfrentado em 2004. “Desisti porque todas as pesquisas eleitorais o mostravam muito à frente. Além disso, não consegui montar um grupo.”

No confronto de 12 anos atrás, o candidato do PSDB teve 83,4% dos votos válidos. Neste ano, reuniu oito partidos em sua coligação: PSDB, PTB, DEM, PPS, PP, PMDB, PSB e PSC.

Questionado se a eleição de candidato único não é ruim para o município, o vereador que desistiu de concorrer relativizou a situação. “Por um lado é bom: não se gasta tanto dinheiro e também não se divide a cidade. Além disso, ele (Antiveri) foi um bom prefeito.”

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