30/05/2016

14:05

Por: Alberto Silva

“Desejo que eles tenham uma filha”, diz adolescente sobre estupradores

Na entrevista, a adolescente disse que foi dopada e narrou a cena que viu quando acordou. "Tinha um [homem] embaixo de mim, outro em cima e dois me segurando. Comecei a chorar. Tinha muitos homens. Fuzil, pistola. Falavam que eu era piranha, vagabunda, coisas assim."

A adolescente de 16 anos que foi vítima de um estupro coletivo no Rio disse, em entrevista ao “Fantástico”, da TV Globo, que deseja que seus estupradores tenham uma filha.
A adolescente acusou o delegado que estava cuidando do caso, Alessandro Thiers, de tê-la tratado mal durante o depoimento e disse que se sentiu incriminada por ele.
“O próprio delegado me culpou. Não me senti à vontade em nenhum momento. Acho que é por isso que muitas mulheres não fazem denúncia. Na delegacia, tentaram me incriminar como se eu tivesse culpa de ter sido estuprada”, afirmou.
“Tinha três homens dentro de uma sala de vidro. Ele [o delegado] botou na mesa as fotos e o vídeo, expôs e falou, ‘conta aí’. Não perguntou se eu estava bem, se eu tinha proteção. Perguntou se eu tinha costume de fazer isso, se eu gostava de fazer isso. Parei [de responder] imediatamente.”, acrescentou.
A Polícia Civil do Rio anunciou neste domingo (29) que a delegada Cristiana Bento, titular da DCAV (Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima), vai assumir o comando da investigação.
Ao “Fantástico”, o chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, disse que vai apurar se a conduta do delegado foi inadequada.
Na entrevista, a adolescente disse que foi dopada e narrou a cena que viu quando acordou. “Tinha um [homem] embaixo de mim, outro em cima e dois me segurando. Comecei a chorar. Tinha muitos homens. Fuzil, pistola. Falavam que eu era piranha, vagabunda, coisas assim.”
Ao programa da Tv Globo, a adolescente afirmou também que está com medo e que tem recebido ameaças de morte. “Não posso sair de casa para nada. Quando entrei no Facebook tinha 900 mil mensagens. Gente de Minas Gerais falando que ia me matar, que se eu entrasse numa comunidade, iam me matar.”
Ela entrou, neste domingo, no Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte.
A jovem e sua família já deixaram a casa onde vivem, na zona oeste do Rio, medida que faz parte do programa. O lugar onde ela passará a viver ficará sob sigilo.
A família dispensou a advogada que cuidava do caso, Eloisa Samy. Sua defesa passará a ser feita pela Defensoria Pública.
Na entrevista, a adolescente reafirmou que foi vítima de um estupro coletivo.
Segundo depoimento da vítima, ela encontrou num baile funk da comunidade um rapaz de 19 anos com quem estava “ficando”.
A jovem disse que foi parar numa casa com o rapaz e, a partir daí, só se lembra de ter acordado pela manhã em outra casa. De acordo com a vítima, ela estava dopada, nua e sendo observada por 33 homens.
Até agora, nenhum suspeito foi preso.
Ao programa da TV Globo, a menor disse também que estão circulando em redes sociais áudios e vídeos falsos atribuídos a ela.
Ela diz que sofre com o fato de pessoas duvidarem da veracidade do seu relato. “Como se elas estivessem lá. São mulheres falando que eu procurei, que eu queria. Mas não pensam assim, ‘poderia ser comigo'”.

"O próprio delegado me culpou. Não me senti à vontade em nenhum momento. Acho que é por isso que muitas mulheres não fazem denúncia. Na delegacia, tentaram me incriminar como se eu tivesse culpa de ter sido estuprada"

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