19/04/2016

19:24

Por: Alberto Silva

Dentro do Planalto silêncio total, ministros e assessores sabem que acabou!

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), recebeu o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff entregue pelo presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

Silêncio, cada um pra seu canto, as vezes um choro e a certeza de que tudo acabou. Apesar do otimismo com a tramitação do pedido de impeachment no Senado, que a presidente Dilma Rousseff procura demonstrar, integrantes do governo avaliam como muito difícil a tarefa de impedir a aceitação do processo na comissão especial no Senado. Caso a comissão aceite a ação, isso levará ao afastamento imediato de Dilma do Planalto por até 180 dias.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), recebeu o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff entregue pelo presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ)

Se esse diagnóstico se confirmar, o Palácio do Planalto concentrará os seus esforços no julgamento do processo de cassação, que exige ainda mais votos dos senadores. Para o acolhimento, é necessária maioria simples dos senadores presentes em plenário. Já para rejeitar o processo de cassação, basta que Dilma tenha 28 votos dos 81 senadores.

Está feia a coisa. No placar do Estadão, o número de senadores que apoiam o impeachment já chega a 46, ou seja, há 5 votos a mais, pois o necessário são apenas 41. A Folha aumenta para 48 a 19, enquanto O Globo vai além e fala em 50 senadores a favor de afastar Dilma. Ela melhor faria se renunciasse logo, para permitir que o país volte à normalidade institucional. Mas a vaidade não o permite. Quanto a Lula, o relatório de Gilmar Mendes é devastador. Dificilmente os outros ministros deixarão de acompanhar o parecer dele. Lula também já era.

“MELHOR QUALIFICAÇÃO”

Para conseguir uma virada no processo iniciado na Câmara, o Planalto aposta na “melhor qualificação” dos senadores e no maior equilíbrio que deverá ser proporcionado pelo presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), e, se o processo for aberto, do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski. O presidente do STF é o responsável por conduzir o processo, a partir do momento em que ele for aberto e a presidente, afastada do cargo:

— Os senadores são menos suscetíveis a pressões. São mais qualificados. A presidente também acredita no equilíbrio de Renan. Ele não fará as manobras de Eduardo Cunha — disse um interlocutor palaciano, referindo-se ao presidente da Câmara.

Mas os auxiliares da presidente preveem dificuldades. Com Dilma afastada do cargo, ela perderá seu Ministério, a caneta e o poder maior de negociação. O ministro da Advocacia-Geral da União, José Eduardo Cardozo, é um exemplo. Ele não estará mais no cargo e deverá cumprir uma quarentena, o que o tira da defesa de Dilma. Esse problema está sendo tratado por Cardozo e pelo entorno da presidente, que já busca alternativas para sua defesa jurídica.

LULA CASA CIVIL?

No Senado, Dilma reforçará sua equipe de articulação, com a ministra Kátia Abreu (Agricultura), que é senadora e espera a manutenção do apoio do ministro Eduardo Braga (Minas e Energia), também senador e ex-líder de seu governo. A petista voltou a dizer que a expectativa esta semana é que o STF permita a nomeação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Casa Civil, decisão pautada para amanhã. A eventual liberação de Lula é vista no Planalto como um trunfo para reaglutinar forças aliadas.

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