18/01/2016

00:47

Por: Alberto Silva

Cuidado com os itens abusivos na compra de material escolar

Todo ano a lista de material escolar pesa no orçamento e deixa muitas mães de cabelo em pé, afinal, ela contem itens de alto custo, alguns desnecessários, por que não dizer supérfluos.

Cristina Renó, mãe de três meninos, conta que, embora tenha seus filhos em escolas municipais, chegou a gastar cerca de R$ 250 com cada lista de material. “Eu sempre achei um absurdo o tipo de coisas que eles pediam, tendo em vista que é era uma escola pública, onde supostamente estudam crianças de baixa renda”, relata.

Ela conta que, além de exigir em sua lista a marca dos itens – sempre as mais caras -, a escola pedia grande quantidade de folhas, que variam entre canson, sulfite, almaço e folhas para fichário. Fora os itens de higiene.

“Eu nunca segui à risca o que está na lista. Depois de tantos anos com filhos na escola, a gente começa a perceber o que realmente é usado e o que é ‘frescura’. Por exemplo: se eles pediam ‘Caneta Hidrográfica de uma marca reconhecida’, eu sempre comprava outra com preço mais razoável, mas que eu conhecia a qualidade”, revelou.

Agora que seus filhos estão maiores – o mais velho no 1º ano do Ensino Médio e os outros no 7º e 5º ano do Ensino Fundamental -, Cristina percebe que a quantidade de itens “esdrúxulos” diminuiu. Mas confessa: a quantidade de papel que pedem nas listas ainda a deixa irritada. “Observei que eles diminuíram a quantidade esse ano, mas ainda assim achei exagerado.”

Somando as folhas que foram pedidas – 300 folhas de papel sulfite, 100 folhas de sulfite colorido, 100 folhas de fichário, Pasta Catálogo com 100 folhas de Papel Sulfite, fora os seis Cadernos Universitários (capa dura), um caderno brochura quadriculado e 10 folhas de papel quadriculado -, Cristina teria que comprar, aproximadamente, 1.093 folhas. “Para que mais tanto papel?”, desabafa.

“Eu nunca mando a quantidade que pedem. Se me pedem 500, eu entrego 250. Se me pedem 300, eu dou 150. Teve um ano que foi pedido mais de 1.000 folhas de papel, entre sulfite, canson e colorido. Para onde vai todo esse papel?”, completa.

Para Valéria Cunha, técnica do Procon-SP, todo material que não é considerado didático ou pedido em quantidade exagerada é abusivo – o que inclui material de limpeza, copos de plástico descartáveis, papel higiênico, um alto número de folhas, etc.

“Os pais não são obrigados a adquirir tudo o que está na lista. É importante que eles conversem na secretaria da escola sobre o que seria prioridade”, explica. Além disso, Valéria esclarece que nem todo material será usado no primeiro semestre, o que possibilita aos pais deixarem alguns itens para depois.

Diante da negação em adquirir parte da lista, alguns pais e alunos podem sofrer represálias ou, até mesmo, o já conhecido bullying, atitude que a técnica classifica como descabida. “O que não tem finalidade não é obrigatório. Os pais devem acompanhar bem de perto a vida educacional dos filhos, seja na escola pública ou na particular. Além disso, os custo e ônus devem ser acompanhados de perto”. Por fim, Valéria aconselha que os pais questionem a finalidade do produto, procurando saber em que ele será usado.

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