30/11/2015

22:05

Por: Alberto Silva

“Complicou geral, hora da limpeza”, Procuradoria pede inquéritos para investigar Renan, Delcídio e Jader

A Procuradoria-Geral da República pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a abertura de novos inquéritos para investigar a suposta ligação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e dos senadores Delcídio do Amaral (PT-MS) e Jader Barbalho (PMDB-PA), além do deputado Aníbal Gomes (PMDB-CE), com o esquema de corrupção da Petrobras.

Os parlamentares poderão ser investigados por lavagem de dinheiro e corrupção passiva. O pedido de apuração envolvendo os congressistas foi motivado por um processo mantido oculto no Supremo, procedimento que tem sido adotado para a tramitação de delações premiadas que estão em sigilo.

Uma das delações que citam os três senadores é do lobista Fernando Soares, o Baiano. O delator –que foi um dos citar anteriormente o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), como outro beneficiário– disse queDelcídio recebeu US$ 1 milhão ou US$ 1,5 milhão, dinheiro fruto de propinas pagas com recursos desviados da compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos.

Baiano disse que Delcídio recebeu o dinheiro para pagar a sua campanha nas eleições para o governo de Mato Grosso do Sul, em 2006.

Ainda de acordo com Baiano, Delcídio recebeu propina por ter endossado a indicação de Nestor Cerveró –este já condenado na Lava Jato– para a direção Internacional da Petrobras.

Além de Delcídio, Fernando Baiano mencionou que Renan Calheiros, o senador Jader Barbalho (PMDB-PA) e o ex-ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau –indicado na época pelo PMDB– também foram beneficiários do esquema de corrupção.

Ele teria apontado que US$ 4 milhões foram desviados de um contrato de navios-sonda para pagamentos que chegaram posteriormente a US$ 6 milhões. O delator comentou que as operações foram completadas pelo lobista paraense Jorge Luz, entre 2006 e 2008.

Os quatro congressistas negam ter ligação com os desvios da Petrobras.

Em nota, a assessoria de Renan informou que o presidente “reitera que suas relações com as empresas públicas nunca ultrapassaram os limites institucionais”, que “o senador já prestou os esclarecimentos necessários mas está à disposição para novas informações se for o caso” e que “nunca autorizou, credenciou ou consentiu que seu nome fosse utilizado por terceiros”.

Em nota, a assessoria de imprensado presidente do Senado afirmou que as relação de Renan Calheiros “com as empresas públicas nunca ultrapassaram os limites institucionais” e que o “senador já prestou os esclarecimentos necessários, mas está à disposição para novas informações, se for o caso. O texto fala ainda que “o senador nunca autorizou, credenciou ou consentiu que seu nome fosse utilizado por terceiros”.

INQUÉRITO

Esse é o quinto inquérito pedido pela Procuradoria para investigar as supostas ligações de Renan com a Lava Jato. Cada inquérito tem o objetivo de investigar fatos diferentes.

Esse é o segundo inquérito de Delcídio, sendo que o primeiro foi aberto na semana passada depois que o senador acabou preso acusado de participar de uma trama para atrapalhar as investigações do esquema de corrupção da Petrobras.

Se for autorizado pelo Supremo, Jader será alvo de dois inquéritos. Os pedidos serão analisados pelo ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no Supremo.

Caso os inquéritos sejam abertos, o Supremo investigará 68 pessoas, sendo 14 senadores, 23 deputados, o ministro de Estado Edinho Silva (Comunicação) e o ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) Raimundo Carreiro.

Compartilhe:

Comentários

* O Pensa Brasil não se responsabiliza pelo conteúdo dos comentários e se reserva o direito de eliminar, sem aviso prévio ao usuário, aqueles em desacordo com as normas do site ou com as leis brasileiras.

Mais Lidas

92