12/10/2016

10:45

Por: Alberto Silva

Chefe da Policia no RJ pede conta e avisa “O sistema está falido, sem grana, sem armas, assim não dá”

Fernando Veloso foi entrevistado nesta quarta pelo Bom Dia Rio. A exemplo de Beltrame, Veloso pediu exoneração do cargo.

Após a saída do secretário de segurança pública do Rio, José Mariano Beltrame, o chefe da Polícia Civil, Fernando Veloso, também entregou o cargo. Ele pediu exoneração, ainda na terça (11), e deve se despedir oficialmente na quinta (13). Veloso criticou a falta de recursos da Polícia Civil nos últimos meses.

Em entrevista ao Bom Dia Rio nesta quarta (12), ele disse que a polícia não tem conseguido fazer seu trabalho corretamente por conta da crise financeira. Convidado por Beltrame, Veloso disse também que já tinha tentado encerrar sua passagem antes mesmo da eleição do governador Luiz Fernando Pezão, em 2014, mas foi convencido a ficar.

Para ele, a “missão foi cumprida” e a entrega do cargo ocorre após “uma série de avanços”. Ele afirmou ainda que a “gestão da máquina é muito complexa e que 24 horas por dia é muito pouco para a gente”. “A Polícia Civil tem se superado”, disse ele.

Para ele, a "missão foi cumprida" e a entrega do cargo ocorre após "uma série de avanços". Ele afirmou ainda que a "gestão da máquina é muito complexa e que 24 horas por dia é muito pouco para a gente". "A Polícia Civil tem se superado", disse ele.

Em entrevista à Globonews, ele disse que a próxima gestão deve enfrentar dificuldades. “Nossos veículos blindados estão com problemas de manutenção, só um está funcionando graças à iniciativa privada . Se a polícia não tiver um sistema funcionando, não há informação sobre o policial tem de fazer na rua, não vai saber se tem ou não um mandado de prisão para aquela pessoa, se aquele carro é roubado. Se a limpeza nas unidades não é feita, como a delegacia vai receber essas pessoas? É complicado”, afirmou.

Em mensagem aos delegados após a confirmação de sua saída, Veloso afirmou que decidiu entregar o cargo após a saída de Beltrame.

“Colocamos nosso cargo à disposição, para que Vossa Excelência possa, sem nenhum embaraço ou constrangimento, montar a sua equipe de trabalho, como convém a toda nova gestão que se inicia”, escreveu Fernando Veloso em comunicado publicado no site da Polícia Civil.

O chefe de Polícia agradeceu ao governador em Exercício, Francisco Dornelles, e ao governador Luiz Fernando Pezão. Veloso foi chamado ainda na gestão Sérgio Cabral para ocupar o cargo,  após a saída de Marta Rocha para disputar as eleições para a Alerj, emjaneiro de 2014.

Veloso agradeceu aos policiais e delegados por seu trabalho durante sua gestão, “a despeito da escassez de recursos ou das dificuldades das missões confiadas”. Um novo nome ainda está sendo estudado para ocupar o cargo.

Saída de Beltrame
Nesta terça-feira, após quase 10 anos à frente da pasta, José Mariano Beltrame anunciou sua saída da Secretaria de Segurança do Rio, que assumiu em janeiro de 2007.

Beltrame foi quem pediu demissão, segundo o governo. Na segunda-feira (17), o Subsecretário de Planejamento e Integração Operacional da própria Seseg, Roberto Sá, assumirá a pasta.

Beltrame foi responsável pela implantação do projeto de Polícia Pacificadora, que instalou UPPs nas principais favelas. Ele pediu a exoneração nesta segunda-feira (10) logo após intenso confronto que disseminou clima de tensão em Copacabana, Zona Sul do Rio, durante operação na comunidade do Pavão-Pavãozinho. Três pessoas morreram e oito foram presos.

“É um ciclo que se fecha. A segurança é uma luta interminável. Por ser uma luta interminável, temos que encarar esse desafio como uma corrida de revezamento. Chega num momento que a gente tem que passar esse bastão para outra pessoa, porque a segurança pública a gente não vence, a gente consegue antecipar e mitigar problemas. E acho que a minha cota desse revezamento foi feita”, afirmou, em entrevista ao RJTV.

Especialistas ouvidos pelo G1 criticaram a gestão de Beltrame. “O capitão está deixando o barco que começa a naufragar. A segurança do Rio de Janeiro está entrando em um período crítico longo, de três a cinco anos no mínimo, podendo se estender a até 10 anos”, disse José Vicente Filho, ex-secretário Nacional de Segurança Pública e atualmente consultor em segurança.

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