04/10/2016

08:48

Por: Alberto Silva

Atrizes viram prostitutas e pedem que sejam chamadas de Bruna a Marquezine #mechamadebruna

O estranhamento também ocorreu durante as filmagens. "Eu tinha 19 tatuagens para gravar e saía no Leblon assim, era verão, estava calor.

#mechamadebruna  A história da famosa prostituta Bruna Surfistinha será contada pela primeira vez na TV em #MeChamaDeBruna, nova série do canal Fox + Premium. Quem a interpreta é uma atriz iniciante: Maria Bopp, 25 anos. A trama mostra o primeiro ano de Bruna em uma casa de prostituição, com ênfase nos conflitos internos e externos da então adolescente, que não se dá bem com as demais garotas do local. Todas as atrizes da série passaram por laboratório em um bordel, chegaram a fingir que eram prostitutas reais nas ruas do Rio de Janeiro e sentiram na pele o preconceito. “É impressionante o nojo que as pessoas têm”, descobriu uma delas.

Para a atriz Nash Laila, que faz uma das garotas de programa, o desprezo foi surpreendente. “Depois de um tempo de ensaio, eu e Maria [Bopp] fomos experimentar a rua por um dia, só para ver o que iria acontecer. Colocamos salto alto e minissaia. De fato, os caras começaram a parar, era uma coisa estranha. Tem a parte do medo, um homem abordou Maria na frente de um shopping, onde tem famílias. As pessoas já olham para você de lado, olham diferente. Pessoas com quem você está acostumada a falar na rua já não se comportam do mesmo jeito”, lembra.

O estranhamento também ocorreu durante as filmagens. “Eu tinha 19 tatuagens para gravar e saía no Leblon assim, era verão, estava calor. [Vi como] É impressionante o preconceito, a rejeição, o nojo que as pessoas têm. Eu entrava às vezes numa loja e as pessoas me tratavam quase como se [eu] desse choque”, conta Carla Ribas, que interpreta a gerente do “privê”.

Antes do início das gravações, Maria teve um encontro marcante com Raquel Pacheco, 31 anos, a Bruna Surfistinha real. "Vendaram meus olhos e os dela e colocaram a gente uma de frente para a outra, com a minha mão no coração dela e vice-versa. Ficamos assim durante quase uma hora, a Raquel falou coisas sobre a vida dela, memórias sobre a trajetória dela.

Para Maria Bopp, o desafio foi ainda maior. Bruna Surfistinha é apenas seu segundo papel como atriz profissional _o primeiro foi uma pequena participação na série Oscar Freire 279, do Multishow, que também explorava o tema da prostituição. Desta vez, a atriz aparece nua em diversas cenas, principalmente em sequências de sexo completamente desprovidas de romance.

“Me surpreendi comigo mesma, achei que teria mais dificuldade, que poderia travar, ficar com medo mesmo. Mas aconteceu tudo muito naturalmente. O fato de ter uma diretora mulher me tranquilizou, eu acreditava que teria um olhar responsável por trás das câmeras, que [ela] não exploraria meu corpo gratuitamente”, diz.

Marcia Faria, a diretora geral, defende as cenas “cruas” e secas de sexo de #MeChamaDeBruna, em que a expressão de sofrimento da protagonista chama a atenção. “O sexo na série tem sempre uma função dramática. A gente procurou [fazer com que] cada uma das muitas cenas de sexo significasse alguma coisa. Porque acho que na vida real também significa. A primeira transa tem uma transformação da personagem. Ela começa de um jeito cru, com um homem que nunca viu na vida, e durante o ato vai percebendo que pode fazer aquilo”, explica.

Antes do início das gravações, Maria teve um encontro marcante com Raquel Pacheco, 31 anos, a Bruna Surfistinha real. “Vendaram meus olhos e os dela e colocaram a gente uma de frente para a outra, com a minha mão no coração dela e vice-versa. Ficamos assim durante quase uma hora, a Raquel falou coisas sobre a vida dela, memórias sobre a trajetória dela. Tudo que ela falava eu repetia na primeira pessoa. Nesse momento, a gente passou as mãos no rosto e no cabelo uma da outra e tiraram nossas vendas. Foi ali que caiu a ficha [que eu a interpretaria], foi muito emocionante, um momento de catarse. Fiquei muito emocionada”, relata a atriz.

Raquel Pacheco já teve sua história contada em três livros e no filme Bruna Surfistinha (2011), estrelado por Deborah Secco. A grande preocupação do diretor de conteúdo da Fox, Zico Góes, era que a série não fosse alvo de muitas comparações com a produção cinematográfica. Ele acredita, no entanto, que a história da garota de classe média alta que foge da casa dos pais na adolescência para virar uma das prostitutas mais bem-sucedidas de São Paulo é “tão boa que rende muitas derivações”.

#MeChamaDeBruna será exibida apenas pelo canal Fox + Premium, restrito para poucos assinantes de TV paga no Brasil. Os episódios, de 45 minutos cada um, irão ao ar aos sábados, a partir do próximo dia 8, às 22h.

 

Compartilhe:

Comentários

* O Pensa Brasil não se responsabiliza pelo conteúdo dos comentários e se reserva o direito de eliminar, sem aviso prévio ao usuário, aqueles em desacordo com as normas do site ou com as leis brasileiras.

Mais Lidas

92