11/07/2016

08:02

Por: Alberto Silva

Aluna que morreu em excursão pode ter sido assassinada, diz laudo

O parecer foi pedido pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa de São Paulo (DHPP), que assumiu o caso em março deste ano.

Estudante de São Paulo morreu no ano passado em um passeio na fazenda organizado pela escola. Na época, as causas da morte não foram determinadas.

Aluna que morreu em excursão pode ter sido assassinada, diz laudo
Estudante de São Paulo morreu no ano passado em um passeio na fazenda organizado pela escola. Na época, as causas da morte não foram determinadas.

O repórter Valmir Salaro revela uma reviravolta no caso de uma estudante de São Paulo que morreu, no ano passado, em um passeio na fazenda, organizado pela escola. Na época, as investigações apontaram “morte por causa indeterminada”, mas um novo laudo indica uma probabilidade muito alta de assassinato.

Em nota, a escola disse que, nas viagens, "disponibiliza profissionais capacitados para atender às necessidades dos alunos". Afirmou também que na excursão a Itatiba, a equipe era "formada por cinco adultos, além dos profissionais fornecidos pela própria fazenda

O parecer foi pedido pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa de São Paulo (DHPP), que assumiu o caso em março deste ano. Com os exames refeitos, a conclusão foi que Victoria Mafra Natalini, de 17 anos, morreu por “asfixia mecânica, na modalidade de sufocação direta”.

A adolescente foi encontrada sem vida em uma fazenda em Itatiba, no interior de São Paulo, em setembro do ano passado. Ela fazia um trabalho de campo no local com um grupo de colegas da escola.

À época do caso, o laudo do Instituto Médico Legal (IML) de Jundiaí (SP) apontou morte por causa indeterminada para o caso. Os exames indicaram que Victória não tinha usado drogas nem tomado bebida alcoólica. Ela também não apresentava sinais de violência sexual.

Ana Paula Rodrigues, delegada do DHPP e responsável pela nova investigação, afirma que tudo pode ter acontecido, “inclusive” um assassinato. “É uma fazenda aberta. Moram colonos que trabalham ali. Há um grande fluxo de pessoas alheias à fazenda”, analisa. Mas revela que, por ora, não há um suspeito. “Por enquanto, não.”

Para a delegada, a escola foi negligente com a aluna durante a excursão.“Teria que ter um responsável sempre ao lado. Houve, sim, falhas de protocolo de segurança”, avalia.

José Jozefran Berto Freire, da Associação Brasileira de Medicina Legal e Perícias Médicas, explica que geralmente a sufocação direta é resultado de um crime, de um assassinato. “Na maior parte dos casos, é feita pelas mãos. A maior parte dos casos que se tem na literatura é sempre por terceira pessoa.”

Com esse novo resultado da perícia, o pai de Victória, Joao Carlos Siqueira Natalini, contratou peritos particulares para analisar o caso. A conclusão desses peritos é que a estudante realmente foi assassinada e que o criminoso carregou o corpo da menina até o local onde, depois, foi encontrado pela polícia.

Natalini acredita que a escola Waldorf Rudolf Steiner, onde a menina estudava desde pequena, deve responder pela morte de sua filha. “Eu responsabilizo, sim. É patente que essa escola realizou esses trabalhos numa atitude de amadorismo sem tamanho”, defende.

Em nota, a escola disse que, nas viagens, “disponibiliza profissionais capacitados para atender às necessidades dos alunos”. Afirmou também que na excursão a Itatiba, a equipe era “formada por cinco adultos, além dos profissionais fornecidos pela própria fazenda”.

A escola disse ainda que vai “empenhar todos esforços para apoiar os órgãos competentes na conclusão das investigações”.

Victória, que adorava música, queria ser chef de cozinha. Ela faria 18 anos agora em julho. “Está faltando música na minha vida, cor. É viver pela metade. É saber que só o tempo vai acomodar isso, que a falta vai ficar para sempre”, afirma o pai.

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