07/06/2016

11:24

Por: Alberto Silva

Aécio Neves com a corda no pescoço, STF abre outro inquérito e quer senador preso

Senador tucano e prefeito do Rio de Janeiro são suspeitos de agir para impedir que a CPI dos Correios investigasse o valerioduto mineiro

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta segunda-feira a abertura de inquérito contra o senador Aécio Neves (PSDB-MG), o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), e o ex-senador Clésio Andrade. Eles são suspeitos de camuflar dados da CPI dos Correios, que em 2005 investigou o escândalo do mensalão, para impedir que houvesse apuração sobre o valerioduto mineiro. É o segundo inquérito contra Aécio, também investigado por suspeita de envolvimento em um esquema de corrupção em Furnas.

A atuação do senador tucano e do prefeito do Rio foi relatada pelo ex-líder do governo Delcídio do Amaral (ex-PT-MS), delator da Operação Lava Jato e recentemente cassado pelo Senado. Segundo Delcídio, que presidiu a CPI, Aécio, então governador de Minas Gerais, ficou “incomodado” com a quebra dos sigilos fiscal e bancário do Banco Rural e enviou emissários para convencer o ex-petista a aumentar o prazo para a entrega dos dados pelo banco. O responsável por negociar o adiamento teria sido Eduardo Paes, então deputado federal pelo PSDB e secretário-geral do partido, que acabou convencendo Delcídio, de acordo com o relato do ex-senador, ao argumentar que “não haveria tempo hábil para preparar essas respostas”. Na época, Clésio era vice-governador de Minas.

Delcídio afirma ter ouvido depois, de Paes e do próprio Aécio, que o tempo adicional foi usado pelo banco para maquiar os dados, excluindo os que comprometessem o então governador, seu vice, Clésio Andrade, a Assembleia Legislativa mineira e o operador do mensalão Marcos Valério. O senador cassado disse ter compreendido “a existência da maquiagem pelo fato de que a gênese do mensalão teria ocorrido em Minas Gerais”, mas “não tomou nenhuma providência ao saber que os dados estavam maquiados”.

Em nota, Aécio disse que "renova sua absoluta convicção de que os esclarecimentos a serem prestados demonstrarão de forma definitiva a improcedência e o absurdo de mais essa citação feita ao seu nome". "O senador jamais interferiu ou influenciou nos trabalhos de qualquer CPI. As investigações isentas e céleres serão o melhor caminho para que isso fique de uma vez por todas esclarecido", afirmou.

De acordo com os depoimentos da delação premiada, Delcídio e Aécio se reuniram em Belo Horizonte para tratar do tema e, após o encontro, o tucano lhe emprestou um avião do estado para que o ex-petista seguisse para o Rio de Janeiro. Dados sobre o uso dos aviões do governo mineiro, divulgados pela gestão de Fernando Pimentel (PT), confirmam a versão de Delcídio do Amaral.

Em nota, Aécio disse que “renova sua absoluta convicção de que os esclarecimentos a serem prestados demonstrarão de forma definitiva a improcedência e o absurdo de mais essa citação feita ao seu nome”. “O senador jamais interferiu ou influenciou nos trabalhos de qualquer CPI. As investigações isentas e céleres serão o melhor caminho para que isso fique de uma vez por todas esclarecido”, afirmou.

Paes também negou a acusação e declarou que está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos. “Em nenhum momento o então governador Aécio Neves solicitou qualquer tipo de benefício nas investigações da CPI dos Correios”, afirmou o prefeito do Rio, em nota.

Compartilhe:

Comentários

* O Pensa Brasil não se responsabiliza pelo conteúdo dos comentários e se reserva o direito de eliminar, sem aviso prévio ao usuário, aqueles em desacordo com as normas do site ou com as leis brasileiras.

Mais Lidas

104