27/06/2016

07:50

Por: Alberto Silva

Adolescente de 12 anos morre após ser baleado por guarda-civil em SP

Ainda segundo a polícia, o adolescente, que levou um tiro na nuca, foi encaminhado para o Hospital Tiradentes, mas já chegou morto.

Um adolescente de 12 anos foi morto por um GCM (Guarda Civil Metropolitana) na noite deste sábado (25) na zona leste de São Paulo.

Guardas-civis realizavam ronda na região de Cidade Tiradentes quando alguns motoqueiros se aproximaram e disseram que haviam sido assaltados por dois homens que estavam em um Chevette prata.

Os guardas localizaram o carro e começaram a perseguição. Segundo a polícia, os ocupantes do veículo efetuaram disparos contra os guardas, que revidaram. Na perseguição, o carro da GCM bateu em outro veículo.

A criança de 11 anos que sobreviveu à perseguição policial entrou com sua família para o PPCAAM (Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte). A criança, sua mãe e seus irmãos já não estão mais no Estado de São Paulo, segundo Luiz Carlos dos Santos, do Condepe (Conselho Estadual de Direitos Humanos), que pediu o ingresso da família no programa.

Um dos tiros atingiu o adolescente Waldik Gabriel Silva Chagas, que estava no banco de trás do carro. Na rua Regresso Feliz, por volta das 22h30, os criminosos abandonaram o carro, com o adolescente ferido, e fugiram a pé.

Um policial militar aposentado informou à polícia que viu quando os homens fugiram. Ao perceber que havia uma criança ferida no carro, segundo a polícia, o PM permaneceu no local até a chegada da GCM.

Ainda segundo a polícia, o adolescente, que levou um tiro na nuca, foi encaminhado para o Hospital Tiradentes, mas já chegou morto.

A equipe de perícia constatou que havia um disparo de fora para dentro do carro e que os vidros das portas estavam fechados. A polícia informou ainda que os guardas-civis não anotaram os dados dos motoqueiros que haviam relatado o roubo.

No depoimento, a mãe do adolescente, Orlanda Correia Silva, 47, disse que o filho andava, supostamente, com pessoas de caráter duvidoso. Porém, ela disse que nunca havia presenciado ou teve conhecimento de que seu filho havia se envolvido em alguma ocorrência policial.

O corpo do adolescente foi encaminhado para o IML (Instituto Médico Legal). “Não acordei ainda, não estou acreditando. Vou sentir que ele morreu depois, que ele não vai estar mais na caminha dele. Saio cinco da manhã de casa e não sei o que acontece depois”, disse a mãe, emocionada, na porta do IML àFolha.

Segundo o advogado Ariel de Castro, do Condepe (Conselho Estadual de Direitos Humanos), não há provas de que as pessoas no carro estivessem cometendo assaltos. “Também não há indícios de que houve troca de tiros. A única marca de tiro é no vidro traseiro do carro, na altura da cabeça”, diz ele.

O caso será investigado pelo DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa). A Secretaria da Segurança Pública informou que um inquérito policial foi aberto e que o GCM envolvido na morte do adolescente foi preso em flagrante por homicídio culposo (sem intenção).

A reportagem da Folha entrou em contato com a Secretaria de Segurança Urbana, que não quis comentar o incidente. A Prefeitura de São Paulo disse, em nota, que “ordenou apuração rigorosa do ocorrido e afastamento dos agentes da Guarda Civil Metropolitana envolvidos, até que se esclareçam os fatos”.

MENINO ITALO

No dia 2 de junho, o menino Italo, de dez anos, foi morto a tiros por policiais militares durante uma perseguição na zona sul de São Paulo. Italo e mais um colega de 11 anos haviam furtado um carro em um condomínio da região e passaram a ser perseguidos.

“É preocupante que dois casos envolvendo a morte de crianças por agentes de segurança tenham ocorrido em um espaço de tempo tão curto”, disse Castro.

O menino de 11 anos, que estava com Italo dentro do carro, deu versões diferentes sobre o ocorrido. Nas duas primeiras vezes que foi ouvido, disse que o colega estava armado e que tinha efetuado três disparos contra a polícia. Depois, mudou a versão. Passou a dizer que nenhum dos dois estava armado e que a polícia plantou a arma para justificar os disparos. Ninguém da polícia se manifestou neste domingo.

Na última sexta (24), o secretário da Segurança Pública no Estado, Mágino Alves Barbosa Filho disse que a polícia vai realizar um exame psicológico no menino de 11 que estava no carro. O exame buscará saber se há algum transtorno. A intenção, segundo Mágino, é “ter um pouco mais do perfil deste menino.”

O secretário não disse se o exame também irá buscar saber em quais das versões o menino dizia verdade sobre a arma encontrada no carro e a realização de disparos pelo, mas indicou que fato de ter apresentado “cinco ou seis versões” suscitou a necessidade de esclarecimento. Nas primeiras versões, o menino disse que Italo atirou contra os policiais, mas, depois, em outras afirmou que a arma foi plantada e que nenhum deles atirou.

O secretário disse ainda que uma nova testemunha ouvida pela polícia disse ter visto os policiais retirando uma arma de dentro do carro em que estava os meninos, e entregando para um superior, o que reforçaria a tese apresentada pelos policiais.

A criança de 11 anos que sobreviveu à perseguição policial entrou com sua família para o PPCAAM (Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte). A criança, sua mãe e seus irmãos já não estão mais no Estado de São Paulo, segundo Luiz Carlos dos Santos, do Condepe (Conselho Estadual de Direitos Humanos), que pediu o ingresso da família no programa.

ROUBOS EM SP

O número de roubos na cidade de São Paulo apresentou crescimento de 5%em maio: foram 12.196 casos registrados ante 12.843 do ano passado. Os dados da violência foram divulgados pelo secretário na última sexta (24).

No Estado também houve aumento: foram 26.690 casos em maio deste ano contra 25.295 do ano passado. Esse foi o quarto aumento seguido no Estado, ou desde fevereiro. Segundo pesquisas de vitimização, os roubos são crimes que mais provocam sensação de insegurança na população.

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